19 Heidegger e Guimarães Rosa: mundo, espacialidade e poesia em dois contos de corpo de baile Rodrigo Michell dos Santos Araujo Mestre em Letras/UFS RESUMO Este arigo invesiga em dois contos de Corpo de Baile, de João Guimarães Rosa, “O recado do morro” e “Cara- -de-Bronze” – ambos pertencentes ao volume No Urubuquaquá, no Pinhém (1969) – o problema do mundo, da espacialidade e o lugar da poesia no horizonte da ontologia fundamental do ilósofo alemão Marin Heidegger. A invesigação divide-se em duas partes: (i) a parir da obra capital Ser e tempo (2011a) e de algumas preleções de 1928 a 1930, como também da década de 1950, trazer para o centro do espaço intervalar entre ilosoia e literatura os conceitos de mundo e espaço de Heidegger, bem como a ligação ontológica do ser-aí com a es- pacialidade – essa própria etapa da invesigação jusiica ela mesma a sua contribuição para a teoria e críica literárias, no que concerne a uma teoria do espaço; (ii) examinar o lugar da poesia nos contos: seu efeito (pri- meiro conto) e sua essência (segundo conto). Neste segundo momento, ao nos apropriarmos de um Heidegger tardio interessado na questão da arte, especialmente na poesia de Hölderlin, sublinhamos o caráter essencial da poesia, para o pensador alemão: fundação (do ser), abertura do mundo, deixar-habitar. Nosso argumento é que entre Heidegger e Guimarães Rosa, o que está em jogo nos contos selecionados é a compreensão da poe- sia como experiência. Entre o pensador da Floresta Negra e o autor mineiro consolidamos o encontro poesia e mundo, poesia e experiência. Palavras-chave: Heidegger. Guimarães Rosa. Mundo. Espaço. A poesia é entrar no ser. (Octavio Paz, Signos em Rotação, 2009, p. 50) 1. Introdução Por que invesigar o “mundo” no corpus selecionado? O que entendemos por mundo? Como se dá a relação entre mundo, espacialidade e poesia nos contos de Rosa? Primeiro, deveremos apontar para a própria escolha e necessidade de diálogo dos textos literários em questão com a ilosoia hei- deggeriana. Segundo, vale dizer, que não se trata de uma escolha arbitrária. Quando dizemos escolha