Violação dos direitos humanos e a luta pela terra Guarani-Kaiowa: tragédia demais para um grupo indígena Spensy Pimentel A pesquisa da Fundação Perseu Abramo (FPA) nos oferece a rara oportu- nidade de observar um painel amplo sobre uma série de impressões que nós, os antropólogos, temos tido sobre as opiniões correntes na população brasileira acerca dos povos indígenas. Acostumados que estamos a realizar in- tensas pesquisas in loco, no clássico modelo da observação participante, temos aqui a possibilidade de contemplar um panorama, bastante útil neste momen- to em que os debates sobre o desenvolvimento do país e sua sustentabilidade atingem, literalmente, em cheio os povos indígenas. Neste texto, particularmente, vamos nos focar em respostas relativas à questão territorial. Aponta a pesquisa que, logo no início da conversa propos- ta pelos entrevistadores, 52% dos 2.006 participantes concordam com a frase: “No Brasil tem muita terra para pouco índio”. Considerando, ainda, os 5% que dizem “não saber”, e os 8% que “não concordam nem discordam”, restam, aí, 34% – cerca de um terço da população – que discordam da ideia. Chama a atenção o fato de que não se encontra nenhum tipo de recorte, dentre os propostos pelos analistas da pesquisa, em que haja uma maioria a discordar dessa formulação. Há, no máximo, em alguns segmentos da popu- lação, uma parcela menor dos que concordam (como entre os moradores de capitais – 47%; os que moram no campo, mas passaram parte da infância na