Este é um artigo de acesso aberto, licenciado por Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC-BY 4.0), sendo permitidas reprodução, adaptação e distribuição desde que o autor e a fonte originais sejam creditados. RESUMO Este trabalho consiste numa revisão da categoria lo-f i aplicada ao cinema de ficção científica (FC). Busca investigar o termo, avaliando a pertinência e a eficácia da categoria aplicada a um cinema de FC de matiz mais autoral e independente, que prescinde de grandes orçamentos e efeitos visuais sofisticados em favor de uma ficção especulativa mais instigante intelectualmente. Palavras-chave: cinema de ficção científica, cinema independente, lo-f i sci-f i. ABSTRACT This article aims to review the concept of lo-f i sci-f i, a term applied to part of the world’s contemporary science fiction film production, more authorial and independent SF films which dispense big budgets and fancy visual effects in favor of more thought-provoking kinds of speculative fiction. Thus, this work will investigate the relevance and effectiveness of the term lo-fi applied to SF cinema. Keywords: science fiction film, independent cinema, lo-fi-sci-fi. 1 Universidade Estadual de Campinas. Rua Elis Regina, 50, Cidade Universitária “Zeferino Vaz”, Barão Geraldo, 13083-854, Cam- pinas, SP, Brasil. E-mail: alsuppia@iar.unicamp.br Cinema de ficção científica lo-fi: uma categoria sob escrutínio Lo-fi Sci-fi film: A category under scrutiny Alfredo Suppia 1 Introdução O cinema hollywoodiano de ficção científica (FC) está em crise. Talvez não exatamente uma crise econômi- ca, mas certamente uma crise estética e de criatividade. À guisa de ilustração, destaco a crítica que Grant já fez com relação ao cinema hollywoodiano de FC contempo- râneo, o qual estaria sendo vitimado por um processo de “infantilização” (1999, p. 16-30). Grant comenta sobre a rendição do cinema de FC industrial ao entusiasmo dos efeitos especiais e apreço pelo visível (em detrimento do imaginário), num movimento infantilizador que torna inviável a transposição, para o cinema, do potencial cogni- tivo ou de elucubração intelectual amplamente verificável na literatura do gênero. O autor observa uma “invasão” de personagens infantis no cinema de FC a partir da década de 1970, sob influência de cineastas como George Lucas e Steven Spielberg (Grant, 1999, p. 25). Segundo Grant, as crianças no filme de FC contemporâneo seriam sintomáticas de um processo de infantilização mais amplo do espectador, com raízes no cinema clássico americano, e que teria tomado de assalto o cinema de FC. Tornarei a referir-me à postura de Grant (1999) mais adiante, e por motivos como esse suponho que, neste começo de século, o cinema de FC mais inventivo e intelectualmente provocador tem passado ao largo de orçamentos astronômicos. Ele pode ser encontrado em produções de médio ou baixo orçamento, levadas a termo nos mais diversos pontos do planeta – inclusive nos Estados Unidos, porém, fora dos grandes estúdios. revista Fronteiras – estudos midiáticos 18(3):305-318 setembro/dezembro 2016 Unisinos – doi: 10.4013/fem.2016.183.07