1 Cidade como Universidade, Universidade como Cidade: A morfologia do recinto universitário Luísa Cannas da Silva, Teresa Heitor CERIS, Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa Av. Rovisco Pais, nº.1, 1049-001 Lisboa, Telefone/fax: 00 351 218418344 luisacanasdasilva@tecnico.ulisboa.pt, teresa.heitor@tecnico.ulisboa.pt Resumo O espaço universitário tem sido amplamente discutido nas últimas décadas. No âmbito das economias e sociedades do conhecimento, a universidade é, cada vez mais, entendida como um agente importante nas dinâmicas económicas e urbanas, e valorizada como elemento dinamizador. Considera-se que o espaço universitário funciona em si mesmo como veículo de conhecimento. É através da sua dimensão física, localização e nível de participação nas dinâmicas urbanas, que a universidade expressa a sua missão, valores e estratégias pedagógicas. É também através do seu espaço físico que a universidade se integra na envolvente, podendo estabelecer-se como estrutura contínua e complementar ou disruptiva no tecido urbano. Deste modo, o recinto universitário assume não apenas um papel passivo, de contentor de actividades, mas um papel dinâmico, integrador e dinamizador, que transcende o universo académico, estendendo-se a todos os utilizadores do espaço universitário e da sua envolvente. Neste artigo explora-se o papel do espaço físico universitário como elemento de ligação entre academia e sociedade e de transição entre as escalas do espaço (privado) de aprendizagem e do espaço (púbico) da cidade. Através da análise morfológica centrada na escala urbana e do recinto, enfatizam-se as condições espaço-funcionais com influência na capacidade de a universidade se estabelecer como entidade sinergética e activa, comprometida com a sua missão, tendo em conta a relevância da relação universidade-cidade no contexto das sociedades do conhecimento. O artigo está organizado em duas partes. Na primeira são apresentados diferentes modelos de recintos universitários, definidos em função das suas características morfológicas e de localização no território, assim como das funções que oferecem e do tipo de vivências que proporcionam. Na segunda, são definidas as variáveis utilizadas na observação deste tipo de recintos, criando uma metodologia de análise aplicável a larga escala. Argumenta-se que estas variáveis influenciam o nível de relação morfológica que a universidade estabelece com a cidade. São considerados factores como a distância ao centro urbano, a compacidade do recinto ou o tipo de limites deste, analisando as relações de continuidade ou descontinuidade com as malhas adjacentes. Salienta-se o impacto que o limite do recinto tem na sua inserção urbana. Finalmente, são extrapoladas as condições espaço-funcionais com influência na capacidade desses recintos contribuírem para que a universidade se institua como um organismo sinergético. Palavras-chave Recinto universitário, campus, cidade, morfologia urbana, sinergia.