LEAL, Victor Nunes. Coronelismo, enxada e voto : o mun´ ıcipio e o regime repre- sentativo no Brasil. S˜ ao Paulo: Companhia das Letras, 7. ed., 2012. Antˆ onio Alves Tˆ orres Fernandes Victor Nunes Leal ´ e um dos mais importantes pensadores da hist´oria do pensamento pol´ ıtico brasileiro. Nascido em 1914, na cidade de Carangola (MG), fez bacharelado na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, em 1936. Dentre as in´ umeras atividades que exerceu, Victor Nunes Leal foi professor da Faculdade Nacional de Filosofia, Ministro-Chefe da Casa Civil, no governo do presidente Juscelino Kubitschek, de 1956 a 1959, e Ministro do Supremo Tribunal Federal de 1960 a 1969, quando foi aposentado compulsoriamente pelo AI-5 durante o regime militar. Coronelismo, enxada e voto: o munic´ ıpio e o regime representativo no Brasil ´ e uma obra que se encontra entre os cl´assicos da literatura pol´ ıtica brasileira. Analisando de uma maneira complexa, n˜ ao apenas se detendo a uma abordagem para explicar o fenˆ omeno do “coronelismo”, Nunes Leal (2012) usa obras de pensadores da ´area jur´ ıdica, psicol´ogica, cultural e econˆomica, abrangendo os fatores econˆomicos, sociais e pol´ ıticos em uma sociedade brasileira permeada pelo jogo pol´ ıtico e r´ ıgida hierarquia de poder entre a Uni˜ao, estados e munic´ ıpios. Esta resenha busca fazer uma an´alise da referida obra abordando pontos principais presentes no livro da maneira mais pedag´ ogica poss´ ıvel. Coronelismo, enxada e voto foi publicada pela primeira vez em 1948, sendo uma obra pioneira ao utilizar-se de rigorosa an´ alise emp´ ırica, tendo como base dados quantitativos para garantir uma maior validade ao seu trabalho. Antes de mais nada, ´ e necess´ ario que seja definido o que ´ e o fenˆ omeno do “coronelismo”. Victor Nunes Leal (2012, p. 43) classifica o “coronelismo” como “resultado da superposi¸ ao de formas desenvolvidas do regime representativo a uma estrutura econˆ omica e social inadequada”. Ou seja, o “coronelismo” ´ e um sistema de barganha entre um poder p´ ublico mais fortalecido e um poder privado cada vez mais decadente. Victor Nunes Leal (2012) coloca o “campo de atua¸ ao” do “coronelismo” basicamente como os grandes latif´ undios onde os “senhores de terra” ou os “coron´ eis” atuam com extensa autonomia, sendo a estrutura agr´ aria brasileira o pilar de sustenta¸c˜aodesses“resqu´ ıcios de poder privado”. O termo “coronelismo” deriva dos coron´ eis que atuavam na Guarda Nacional. Bas´ ılio de Magalh˜aes (apud LEAL, 2012, p. 241) afirma que, “com efeito, al´ em dos que realmente ocupavam nela (Guarda Nacional) tal posto, o tratamento de ‘coronel’ come¸ cou desde logo a ser dado pelos sertanejos a todo e qualquer chefe pol´ ıtico, a todo e qualquer potentado”. A lideran¸ca pol´ ıtica local come¸ca a ser discutida por Nunes Leal na primeira parte do livro. Independente do chefe municipal, o poder do “coronel” ´ e logo percebido. ´ E poss´ ıvel Graduando em Ciˆ encia Pol´ ıtica pela UFPE, membro do grupo M´ etodos de Pesquisa em Ciˆ encia Pol´ ıtica da UFPE e Bolsista de Inicia¸ ao Cient´ ıfica do Fundo de Amparo ` a Ciˆ encia do Estado de Pernambuco (FACEPE). Conex˜ ao Pol´ ıtica, Teresina v. 5, n. 1, 123 – 128, jan./jun. 2016