XVI SIMPÓSIO NACIONAL DE ESTUDOS TECTÔNICOS X INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON TECTONICS 22 a 25 de maio de 2017 | Salvador - BA - Brasil CARACTERIZAÇÃO GEOFÍSICA DA JUNÇÃO ENTRE AS SERRAS DO CURRAL E MOEDA NO QUADRILÁTERO FERRÍFERO: ZONA DE CHARNEIRA DA NAPPE CURRAL Thiago José Augusto Madeira 1 , Maria Silvia Carvalho Barbosa 1 , Issamu Endo 1 , Luand Roberto Aparecido Piassa 1 1 Departamento de Geologia da Escola de Minas – Universidade Federal de Outo Preto RESUMO Este estudo oferece uma compreensão do modelo geotectônico para a região noroeste do Quadrilátero Ferrífero, na junção entre a serra do Curral e a serra da Moeda, a partir de compilação bibliográfica das principais propostas de evolução geológica da área e sua integração com dados geofísicos de alta profundidade. Esta região apresenta alta complexidade estrutural e cobertura de solo e canga que dificulta a análise pormenorizada das principais estruturas geológicas, o objetivo precípuo desta revisão foi apresentar integração de dados geológicos de superfície com dados de anomalias gravimétricas de alta profundidade para elucidar os modelos tectônicos propostos. Os atuais modelos, com propostas divergentes, limitam-se a estudos de campo ora com foco em geologia estrutural ora com foco em descrição litoestratigráfica, sem auxílio de técnicas sofisticadas que trazem luz aos mistérios da região. O objetivo do trabalho é incrementar estas informações com técnicas geofísicas altamente estabelecidas para dados potenciais (gravimetria e magnetometria), apresentando dados de profundidades estimadas para as fontes causadoras de anomalias. Foi aplicada a deconvolução de Euler em dados gravimétricas da missão espacial TOPEX/Posseidon e integrado aos dados geológicos disponíveis, o resultado foi um perfil gravimétrico de direção Oeste-Leste, cobrindo cerca de 85 km do norte do Quadrilátero Ferrífero, que mostrou anomalias com profundidades que alcançam até 25.000 m. O modelo idealizado por este trabalho corrobora com aqueles que sugerem o desenvolvimento de uma nappe para a região, com colocação de domos de embasamento no núcleo da mega dobra com o redobramento do seu flanco normal. Trabalhos geoquímicos e geocronológicos se fazem necessários para subsidiar a proposta oferecida. Palavras-chave: Geofísica Aplicada, Deconvolução de Euler, Quadrilátero Ferrífero INTRODUÇÃO A região noroeste do Quadrilátero Ferrífero (QFe), junção entre as serras do Curral e Moeda (Figura 1), apresenta alta complexidade estrutural e cobertura de solo e canga que ofusca seu entendimento evolutivo. Dorr (1969) interpreta um sinclinal principal (serra da Moeda) de orientação N-S batendo contra uma estrutura homoclinal principal (serra do Curral) com direção aproximadamente N60E e cerca de 100 km (Figura 2.A). A junção é localizada no meio da estrutura N60E. Pires (1979) e Pires & Miano (2015) propõem que a anticlinal serra do Curral é um bom exemplo de anticlinal recumbente (Figura 2.B), apresentando vergência NW enquanto o Gnaisse Bonfim e o greenstone belt Rio das Velhas estrangulado ocupa o núcleo da estrutura. A predominância de dobras tipo-S ao longo do contato entre os itabiritos Cauê e o xisto verde Gandarela sugere que estas unidades são o flanco superior da estrutura. Alkmim & Marshak (1998) concentraram-se na definição de uma série de domos (e.g. Bonfim e Belo Horizonte) bordejado por quilhas contendo os Supergrupos Minas e Rio das Velhas. As quilhas incluem extensos sinclinais de primeira ordem (e.g. Moeda) e extenso homoclinal (a serra do Curral) (Figura 2.B). O sinclinal Moeda forma a quilha entre os domos Bonfim e Bação, com a ocorrência de zonas de cisalhamento entre as rochas supracrustais e os domos do embasamento. Endo et al. (2005) postula um modelo tectono-estratigráfico com o desenvolvimento de uma dobra recumbente alóctone com vergência para N, denominada nappe Curral (Figura 2.C). A bacia de foreland Sabará cavalga o complexo Belo Horizonte sobre a falha de Mário Campos. Em toda serra do Curral domina a relação entre xistosidade e acamamento, bem como dobras mesoscópicas assimétricas, de flanco inverso [Z], enquanto no sinclinal Moeda o quadro estrutural é relatado como flanco normal [S] com transição na junção entre ambas as estruturas. A zona de charneira compreende esta junção completamente estrangulada pelo Gnaisse Souza Noschese envolvido no núcleo da nappe. O propósito do trabalho é a integração de dados bibliográficos geológicos, da junção entre as serras do Curral e Moeda, com dados geofísicos processados (mapas gravimétricos e deconvolução de Euler), com o