Rev. Mat. Estat., São Paulo, v.22, n.3, p.21-32, 2004 21 ANÁLISE BAYESIANA DO DESEMPENHO DE DOIS TESTES DIAGNÓSTICOS QUANDO INDIVÍDUOS COM RESULTADOS NEGATIVOS EM AMBOS OS TESTES NÃO SÃO VERIFICADOS POR UM PADRÃO-OURO Edson Zangiacomi MARTINEZ 1 Jorge Alberto ACHCAR 2 Francisco LOUZADA-NETO 2 RESUMO: Na literatura médica, os estudos sobre o desempenho de testes diagnósticos utilizam freqüentemente as medidas de sensibilidade e especificidade. Essas medidas estimam, respectivamente, a probabilidade de um teste fornecer um resultado positivo, dado que o indivíduo realmente é portador da doença, e a probabilidade do teste fornecer um resultado negativo, dado que o indivíduo não é portador da doença. Essas medidas são obtidas da comparação direta dos resultados do teste e de um procedimento denominado padrão-ouro, que classifica os indivíduos corretamente como doentes e não doentes. No entanto, em alguns estudos, são submetidos ao padrão-ouro somente os indivíduos com resultados positivos em pelo menos um dos testes sob investigação. No presente estudo, propomos o uso de um modelo Bayesiano para a estimação da sensibilidade e da especificidade nesta situação. Uma extensão do modelo é apresentada, de modo que o efeito de co-variáveis sobre as medidas de desempenho possa ser estudado. Uma aplicação a dados reais, obtidos da literatura médica, ilustra a metodologia. PALAVRAS CHAVE: Sensibilidade; especificidade; testes diagnósticos; métodos Bayesianos. 1 Introdução Os métodos estatísticos aplicados à medicina diagnóstica apresentaram enormes avanços nas últimas décadas. Grande parte desses métodos está voltada ao problema de classificar indivíduos em grupos, os testes diagnósticos compõem o principal exemplo. Esses testes são descritos como métodos capazes de indicar a presença ou a ausência de uma determinada doença, com uma certa chance de erro, e a quantificação dessas chances de erro é basicamente o objetivo dos métodos estatísticos. Na terminologia médica, a probabilidade de um teste diagnóstico produzir um resultado positivo, dado que o indivíduo é realmente portador da doença, é chamada sensibilidade (S) do teste, ou taxa de verdadeiros positivos (TVP). A probabilidade do teste produzir um resultado negativo, 1 Departamento de Medicina Social, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - FMRP, Universidade de São Paulo – USP, CEP 14049-900, Ribeirão Preto, SP, Brasil. E-mail: edson@fmrp.usp.br. 2 Departamento de Estatística, Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, Caixa Postal 676, CEP 13565- 905, São Carlos, SP, Brasil. E-mail: jachcar@power.ufscar.br / dfln@power.ufscar.br.