263 ITINERÁRIOS DA BOEMIA: A CARTOGRAFIA DOS BARES DE BAGÉ DE ERNESTO WAYNE Lisandro Lucas de Lima Moura Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul Câmpus Bagé) Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Programa de Pós-Graduação em Antropologia lisandromoura@ifsul.edu.br RESUMO Apresento neste trabalho um itinerário da cidade de Bagé a partir dos poemas de Ernesto Wayne, intitulados Mapa dos Bares de Bagé. Com o auxílio da fenomenologia da imaginação poética de Gaston Bachelard e da abordagem ecológica de Tim Ingold, busco aproximar a poesia de Ernesto Wayne de um estudo antropológico que mostre os fluxos e as possibilidades de interação com a cidade, a partir do ato de mapear, inventariar ou cartografar a vida noturna dos antigos bares. Palavras-chave: cidade, cartografia, imaginário INTRODUÇÃO As cidades planejadas e visualizadas nos mapas cartográficos modernos estão muito aquém das experiências cotidianas dos moradores que constroem espontaneamente seus itinerários. As pretensões da cartografia moderna em produzir representações exatas e objetivas dos múltiplos caminhos de uma região ou cidade foram suficientemente questionadas pelos trabalhos antropológicos de Ingold (2005). Para ele, o ato de mapear, muito diferente de elaborar um mapa, é visto como processo aberto e contínuo, um movimento constante de “descobrir -caminho”. Todo mapa revela antes um modo de vida errante do que um espaço de posições fixadas independentes de um ponto de vista. É com esse pressuposto que apresento um itinerário da cidade de Bagé composto por uma coleção de poemas publicados em 1988 pelo escritor e poeta Ernesto Wayne, natural de Bagé. Através do seu poema Mapa dos Bares de Bagé, publicado no livro Extrato de Conta (1988), é possível compreender como a cidade, tanto em seu espaço físico como no seu aspecto imaginário, está atravessada pelas