XI Reunión de Antropología del MERCOSUR (XI RAM), Montevidéu, Uruguai, de 30 de novembro a 4 de dezembro de 2015 GT 66. O parentesco repensado: novas perspectivas etnográficas sobre a relação O Anti-Édipo Ticuna Edson Tosta Matarezio Filho Pós-doutorando Departamento de Antropologia USP sociais@hotmail.com “somente uma psicologia das afecções pode constituir a verdadeira ciência do homem” (Deleuze, 2001: 4). “[o] que há de não-humano na sexualidade humana: as máquinas do desejo” (Deleuze, 2006: 308) Resumo: Esta comunicação visa refletir sobre algumas relações entre mitologia, ritual de iniciação, casamento e relações entre humanos e não-humanos para os índios Ticuna (AM, Brasil). Com relação à mitologia, parto do pressuposto de que, de maneira geral, os ameríndios não baseiam sua mitologia num antagonismo entre pai e filho e o consequente “fechamento edipiano da família diante do socius” (Viveiros de Castro, 2007: 114). Neste sentido, concentro a análise em uma série de mitos ticuna que tem os heróis Metare e Monmaneki como protagonistas. Se, por um lado, temos a figura de Monmaneki, o mulherengo, com quem nenhuma mãe gostaria de ver a filha casada, por outro lado, Metare, aparenta ser o “bom partido” da mitologia ticuna. Além disso, as aventuras deste último personagem narram a vingança contra inúmeros sogros canibais, que são mortos por ele, exemplos do “arqui-mito” ameríndio (idem: 123). Deste modo, estes mitos nos fornecem “os termos da dívida ontológica” (ibdem) ticuna: entre genro e sogro canibal. Definido o polo masculino da análise, passo ao ritual de iniciação feminina dos Ticuna, a chamada Festa da Moça Nova. Este ritual, uma máquina de recalcamento da produção desejante, operaria uma espécie de “castração simbólica” da moça, preparando-a para o casamento. Nesta Festa também entram em cena os não-humanos centrais para a realização do