A Teoria da Mudança como Ferramenta Avaliativa do Desenho dos Programas Sociais: o caso das ações estruturantes para Comunidades Quilombolas1 Adriana Gaviria Dugand * André Augusto Pereira Brandão ** Resumo O trabalho mostra a pertinência da Teoria da Mudança (TdM) no campo das avaliações do desenho e desenvolve uma aplicação concreta da ferramenta, na análise das intervenções dirigidas às comunidades quilombolas no Brasil. Em particular, o exercício consiste em uma meta-avaliação do Programa de Ações Estruturantes nas Comunidades Remanescentes de Quilombos, baseada nas pesquisas avaliativas do Programa realizadas em 2006 e 2008. Os resultados apontam o alto custo do Programa ter subestimado, no desenho, a importância de definir as responsabilidades dos atores envolvidos, assim como dimensionar as particularidades e necessidades da população alvo. O trabalho permite delinear de forma mais aprofundada as causas que explicam os baixos resultados atingidos pela intervenção em termos de eficácia e eficiência, e questiona o uso das avaliações feitas para orientar oportunamente a implementação do programa. Palavras-chave: Teoria da mudança. Avaliação do desenho. Meta-avaliação. Comunidades quilombolas. Grupos étnicos. 1 Este artigo está baseado no trabalho apresentado pelos autores no evento 1° Seminário NUPPAA O Estado no Século XXI: Análise e Avaliação de Políticas Públicas, realizado no dia 2 de agosto de 2016 na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no grupo de trabalho de Pobreza e Desigualdade. Os autores agradecem os comentários recebidos no evento, em especial à Renata Bichir. * Mestre em Estudos Culturais, Universidad de los Andes, Colômbia. Doutoranda em Economia - Universidade Federal Fluminense. E-mail: adrianagaviria88@gmail.com. ** Doutor em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Professor Associado IV. Programa de Estudos Pós-Graduados em Política Social - Universidade Federal Fluminense. E-mail: andre_brandao@id.uff.br.