1 OS PROCESSOS DE TURISTIFICAÇÃO DO ESPAÇO E ATUAÇÃO DOS SEUS AGENTES PRODUTORES 1 Aguinaldo César Fratucci 2 Universidade Federal Fluminense – UFF; acfratucci@turismo.uff.br RESUMO Este artigo propõe uma discussão sobre o papel dos diversos agentes envolvidos com os processos de turistificação do espaço, buscando elementos que comprovem o descaso das políticas públicas de turismo para com as outras dimensões do fenômeno turístico, além da dimensão econômica. O mesmo é parte de uma pesquisa mais ampla sobre a dimensão espacial e as contradições nos processos de regionalização do turismo no âmbito da gestão pública do turismo no Brasil, em desenvolvimento no Programa de Doutorado em Geografia da Universidade Federal Fluminense. Palavras chaves: Turismo; turistificação; agentes produtores. Entendido como fenômeno socioespacial contemporâneo gerador de uma atividade econômica dinâmica, o turismo provoca alterações significativas nas estruturas ocupacionais das populações residentes nas áreas onde ele se manifesta, desde o abandono das atividades primárias (pesca, agricultura e pecuária), substituídas por aquelas do setor de prestação de serviços, até a migração de trabalhadores de outras áreas e a construção de empreendimentos direcionados para as funções de lazer e recreação. No dizer de Nicolas (1989), o processo de turistificação dos espaços implica na substituição da lógica da produção (esfera do trabalho) pela lógica do lazer (esfera do lazer). Todas essas interferências afetam sobremaneira o ordenamento dos espaços apropriados pelo turismo, podendo provocar conseqüências bastante negativas como o crescimento urbano caótico, a eliminação das paisagens naturais, a construção de paisagens artificiais afastadas dos valores, símbolos e mitos locais e a geração de conflitos internos nos grupos sociais locais e, também, nas suas relações com os visitantes e com os agentes do mercado que ali se instalam para operar a atividade turística. Contraditoriamente, para a própria continuidade da atividade, essas conseqüências negativas não são bem-vindas, na medida que ajudam a afastar os visitantes, o que diminui a lucratividade do setor, o número de empregos gerados e a arrecadação de impostos. A entrada de moeda forte e a geração de empregos em prazos menores vêm sendo utilizadas como justificativa para investimentos cada vez maiores em ações de marketing e de fomento por parte de governantes, que têm elegido o desenvolvimento turístico como uma alternativa estratégica prioritária nos seus planos de governo. Ao poder público, enquanto agente articulador e normatizador dos processos de ocupação e ordenamento dos seus territórios, cabe estabelecer políticas públicas que definam as diretrizes para tais processos, sempre ouvindo os demais agentes do turismo, incluindo as representações das populações residentes nas áreas receptoras. Entretanto, de um modo geral, as políticas públicas de gestão do turismo editadas pelas diversas instâncias governamentais brasileiras nos últimos anos, têm se norteado apenas pelas dimensões econômicas e mercadológicas do setor, deixando de 1 Artigo apresentando no X ENTBL, 2007, João Pessoa - PB 2 Professor e coordenador do Curso de Turismo da UFF; aluno do Programa de Pós Graduação em Geografia da mesma universidade, sob a orientação do Professor Dr. Rogério Haesbaert.