A CONTRIBUIÇÃO DO COOPERATIVISMO DE CRÉDITO PARA A AUTONOMIA DA MULHER NA AGRICULTURA FAMILIAR Josiane Caldas Kramer Luiz Fernando Machado Kramer Renata Borges Kempf Resumo: O papel da mulher, na propriedade rural, por muito tempo esteve ligado a atividades de bastidores, restringindo a participação das mulheres nos espaços públicos. Para mudar essa realidade são necessárias que as instituições, sejam elas públicas ou organizativas, contribuam positivamente para fortalecer a voz ativa e a condição de sujeito social das mulheres. O objetivo do presente trabalho foi de avaliar os resultados do projeto “Profissionalização de Mulheres e Jovens”. O tema estudado baseou-se em dados quantitativos e nos princípios teóricos da metodologia de pesquisa qualitativa. Os resultados apresentaram uma melhora considerável nas condições de vida das participantes, refletindo consideravelmente no seu empoderamento no espaço doméstico e, ainda que tímido, nos espaços públicos de decisão. Palavras-chave: Organização social, gênero, espaços de decisão. 1 INTRODUÇÃO: O papel da mulher, especialmente na meio rural, por muito tempo esteve ligado a atividades de bastidores, do cuidado dos afazeres domésticos; na lida de pequenas atividades produtivas (consideradas secundárias no universo masculino/patriarcal na lógica da reprodução econômica da propriedade); do zelo pelo bem-estar e educação dos filhos. Brummer (1996) afirma que essas atividades são vistas como tediosas e rotineiras, restringindo a participação das mulheres nos espaços públicos, como sindicatos, associações, cooperativas, movimentos sociais, etc. No Brasil, a representação sobre o papel da mulher tem forte influência do período da colonização que trouxe da metrópole um discurso moralizador sobre o uso dos corpos, visando difundir a cristianização e a fé católica, bem como ser suporte para desenvolvimento do sistema mercantil que desejava criar aqui contingente populacional para ocupação destas terras a partir do século XVI. De acordo Del Priore (1988, p.11), a mulher na historia do Brasil tem surgido recorrentemente sob a luz de estereótipos, dando-nos enfadada ilusão de imobilidade. Auto-sacrificada, submissa, material sexual e materialmente e reclusa com rigor, à imagem da mulher de elite opõem-se a promiscuidade e a lascívia da imagem da mulher de classe subalterna, pivô da miscigenação e das relações inter-étnicas que justificaram por tanto tempo a falsa cordialidade entre colonizadores e colonizados. No entanto, mesmo os autores não religiosos que sucederam o período colonial reproduziam a figura da mulher como um ser inferior e que devia sempre obediência ao marido. O acordo epistolar entre autores laicos ou religiosos culminavam sempre em enfatizar