Caderno aTempo 2017 - capítulo 2 | 24 A visualidade da imagem desenhada e impressa era conhecida no Brasil em um sem-número de objetos gráicos. Lidando com embalagens cromolitografadas e até mesmo cartazes de rua assim coloridos, as pessoas eram atraídas pelas imagens vibrantes que participavam de seu cotidiano. Mas eram desenhos que não tinham a aura de realidade que a fotograia iria assumir. Esse público foi seduzido por ela, que trazia para a esfera pessoal a possibilidade de retratar familiares e paisagens, sendo lenta a introdução da fotograia impressa, como será exposto adiante. Mas é a impressão tipográica que dá à imagem fotográica o acesso a um público mais amplo, tornando a fotograia parte essencial da linguagem jornalística, em especial dos periódicos. Ainda no século XIX, várias exibições de imagens animadas tornam-se parte do lazer carioca: o Omniographo (1896), o Animatographo (1897). Mas foi a partir da década de 1910 que o cinema chegou ao país, com um mundo novo de fruição da imagem em movimento (LUCAS, 2005). Acompanhando o interesse popular pelas estrelas da tela, várias revistas foram lançadas com este tema, dominando cada vez mais o lazer das pessoas: O lançamento de A Cena Muda, em 1921, no Rio de Janeiro, sinalizava o avanço da sétima arte e o favoritismo do publico para com o gênero. Curioso que a Estatística Intelectual do Brasil não tenha relacionado o item revista teatral em seu quadro tipológico de publicações periódicas, mas o tenha feito com relação às revistas cinematográicas; enquanto em 1912 não constava nenhum registro de título cinematográico, em 1930 computavam-se dez títulos voltados para a matéria. Em detrimento do teatro, o cinema importado triunfara no Brasil, um dos mais atraentes entrepostos comerciais para o poderoso mercado de Hollywood. (MARTINS, 2001:405). Veículo especializado, A Scena Muda, que circulou de 1921 até 1951, trazia em suas páginas uma verdadeira crônica do cinema norte americano, nos anos em que se formava o Star System. Semanal, era publicada pela Companhia Editora Americana. Flora Bender (1979) autora do principal trabalho sobre a revista, divide sua trajetória em quatro fases. A primeira vai de 1921 até 1942, correspondendo a uma revista especializada em cinema, cobrindo o que seriam os anos de formação e consolidação do star system hollywoodiano. As matérias publicadas são, na sua maior parte, Imprimindo fotos em preto e branco a cores: O caso da Revista Scena Muda (1921-1955) Edna Cunha Lima 1 Helena de Barros 2 1 Docente PUC, Rio de Janeiro 2 Fotógrafa e desenhista