271 R. Opin. Jur., Fortaleza, ano 15, n. 20, p.271-297, jan./jun. 2017 doi:10.12662/2447-6641oj.v15i20.p271-297.2017 Das Teorias Da inTerpreTação à Teoria Da Decisão: por uma perspecTiva realisTa acerca Das influências e consTrangimenTos sobre a aTiviDaDe JuDicial Ricardo de Lins e Horta* Alexandre Araújo Costa ** 1 Introdução: da decisão às teorias da interpretação. 2 Teorias sobre a decisão judicial: panorama do estado da arte. 3 A psicologia da justiicação da decisão: articulando descoberta e justiicação. 4 Das teorias da interpretação à teoria da decisão. 5 Con- clusão. Referências. RESUMO A ideia de que seja possível desenvolver uma metodologia hermenêutica capaz de conduzir a decisões corretas continua sendo um dos elementos centrais dos discursos dogmáticos contemporâneos, especialmente na forma das teorias da argumentação. Em virtude disso, o comportamento judicial conigura um ele- mento secundário no desenvolvimento das teorias tradicionais. As pesquisas descritivas a seu respeito acabaram se inspirando numa peculiar vertente do positivismo, o realismo jurídico, que levou a sério a ideia de que era preciso realizar uma ciência empírica do Direito, capaz de explicar o papel das prefe- rências político-ideológicas, pessoais, entre outras, na decisão judicial. Neste artigo, sustentamos que uma teoria realista da interpretação, que encare o Direito como uma arena decisória, permite que se vislumbre uma teoria da decisão, que integre não só fatores discursivos, mas também estratégicos, sociais e reputacionais da decisão. Para tanto, apresentamos uma série de estudos empíricos, oriundos da Psicologia Cognitiva e Social, da Ciência Política e da Economia Comportamental, que investigam como os fatores extrajurídicos inluenciam e constrangem o processo de tomada de decisão judicial. Por im, com base em teorizações recentes sobre como o raciocínio humano se articula com o processo argumentativo de justiicação, defendemos que, do ponto de vista da formulação de uma teoria da decisão judicial, a oposição entre con- textos de “descoberta” e “justiicação” não mais se sustenta. * Doutorando em Direito (UnB) e Mestre em Neurociências (UFMG). Pesquisador visitante no grupo Évolution & Cognition Sociale, da École Normale Supérieure, em Paris (2016-2017). E-mail: <ricardolinshorta@gmail.com>. ** Mestre e Doutor em Direito pela Universidade de Brasília (UnB). Professor da Faculdade de Direito da UnB. Coordenador do Grupo de Pesquisa em Política e Direito (UnB). E-mail: <alexandre.araujo.costa@gmail.com>.