VII Simpósio Internacional sobre Literatura Brasileira Contemporânea: cartografias da produção atual [Brasília, Universidade de Brasília, 4 a 7 de dezembro de 2016] Anais do Fórum dos Estudantes - ISSN 2318-2040 Página 1 A violência contra a mulher em contos de Beijo, boa sorte, de Ana Elisa Ribeiro Paula Queiroz Dutra 1 We shall by morning Inherit the earth. Our foot's in the door. Mushrooms, Sylvia Plath Resumo: Este trabalho tem por objetivo problematizar a representação da violência contra a mulher em alguns dos contos reunidos no livro Beijo, boa sorte (2015), da escritora mineira Ana Elisa Ribeiro. Entre o cotidiano e a memória, os contos abordam as várias formas de violência contra a mulher presentes em nossa sociedade. Com base na crítica literária feminista e nos estudos de gênero, buscamos investigar de que forma a autora subverte os papéis de gênero tradicionais no intuito de desenvolver uma crítica à violência contra a mulher em seus escritos. Palavras-chave: violência contra a mulher, ficção contemporânea, contos, Ana Elisa Ribeiro. A violência contra a mulher é um dos temas mais prementes e atuais dos estudos feministas. Seu reconhecimento, um tanto recente, de se constituir em uma violação dos direitos humanos, foi um passo importante para o surgimento de políticas de combate à violência de gênero. De acordo com Lei 11.340 de 2006, também conhecida como Lei Maria da Penha, “configura violência doméstica ou familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial” 2 . Em suas diversas formas, a violência de gênero, termo mais amplo que abarca a violência doméstica e a violência intrafamiliar, revela a assimetria que estrutura nossa sociedade e que estabeleceu, de forma arbitrária, a ideia de que existe uma superioridade dos homens sobre as mulheres. Como observado por Pierre Bourdieu em A dominação masculina, as estruturas de dominação não podem ser pensadas fora da história e são: produto de um trabalho incessante (e, como tal, histórico) de reprodução, para o qual contribuem agentes específicos (entre os quais os homens, com suas armas como a violência física e a violência 1 Doutoranda em Literatura na Universidade de Brasília (UnB). E-mail: qpaulad@gmail.com 2 BRASIL, Lei 11.340. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004- 2006/2006/lei/l11340.htm