IX Seminário Internacional Redes Educativas e Tecnologias. Rio de Janeiro, de 05 a 08 de junho de 2017 1 AS FORMAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA EM TESES MÉDICAS NO RIO DE JANEIRO ENTRE 1874 E 1892 FELIPE LAMEU DOS SANTOS 1 INTRODUÇÃO A historiografia da Educação Física aponta que o saber médico foi um dos mais importantes para a legitimação das práticas corporais no século XIX (SOARES, 2004; GÓIS JUNIOR, 2013; COSTA, SANTOS E GÓIS JUNIOR, 2014; MELO e PERES, 2014a; MELO e PERES, 2014b). Embora a prática de exercícios físicos sistematizados não estivesse presente na maioria das escolas brasileiras daquele período, percebia-se um número significativo de defesas para sua implantação, especialmente, a partir da segunda metade do século XIX (MELO e PERES, 2014a; 2014b). A defesa das práticas corporais estava, muitas vezes, ligada a crítica à imobilidade nos estabelecimentos escolares, ao excesso de atenção dada à educação intelectual em detrimento da educação física (CUNHA JUNIOR, 1998) e ao entendimento da dimensão higiênica e civilizadora dessa dimensão da educação (GONDRA, 2004). Dentro desse processo, a medicina, por meio do saber da higiene, ocupou um papel central dentro da defesa da implantação das práticas corporais no ambiente escolar. A higiene tentava legitimar seu modo de intervenção na sociedade a partir da suposição do conhecimento científico como isento de paixões e mais legítimo pela sua neutralidade. Baseado nos conhecimentos da ciência, a higiene teria a capacidade de combater as doenças antes do seu aparecimento e prolongar a vida. A higiene tinha uma perspectiva prescritiva e preventiva, visando evitar, atenuar, corrigir e conservar a saúde (GONDRA, 2000). Ela demarcava o certo e o errado, bem como os caminhos que levariam a um e ao outro. Embora as estratégias pudessem variar entre os médicos, elas confluíam na ideia de que se deveria produzir sujeitos higiênicos, higienizados e higienizadores. Isso implicava em uma série de estratégias para formar esses sujeitos e transmitir os saberes da higiene. Dentre essas estratégias podiam-se encontrar a educação e a educação física (GONDRA, 2003). Parte da medicina alertava que os preceitos da higiene não eram levados em consideração na educação. Segundo esses médicos, a não adoção dos preceitos da higiene na educação poderia acarretar em consequências perniciosas para os alunos: sua deformidade física e moral, seu 1 Doutorando em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Licenciado em Educação Física pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).