DA REPRESSOM FRANQUISTA À RESISTÊNCIA e reorganizaçom galeguista além e aquén mar —1936-1963— Uxío-Breogán Diéguez Cequiel Carlos F. Velasco Souto Universidade da Coruña À maneira de introduçom I Apontamentos para umha caracterizaçom da repressom franquista na Galizai Apartir de Julho de 1936 a repressom franquista estendeu um manto de desolaçom e morte sobre todo o território da Galiza. O golpe de estado do dia 18 e a rápida queda do país —mália que nom sem resistência— em mans dos sublevados trouxérom consigo a posta em andamento de umha mecânica repressiva cujo fundamento último nom era outro que um plano de genocídio sistemático a exercer sobre aqueles sectores da populaçom mais directa- mente comprometidos com a causa democrática da II República e, em geral, com a defesa de umhas melhores condiçons de vida para a grande maioria dos humildes. Em resultas desse plano exterminador, friamente desenhado polo mando militar golpi- sta e entusiasticamente apoiado polas elites económicas dominantes, bem como pola hierar- quia eclesiástica, milheiros de cidadáns galegos fôrom fisicamente eliminados por meio de execuçons sumárias e passeios. Outros muitos, pertencentes a ambos os dous sexos, padecé- rom prisom, torturas, sequestros, roubos, extorsons, multas arbitrárias, discriminaçom labo- ral, malheiras, violaçons e vexaçons diversas. Outros, enfim, houvérom de se agachar, fugir aos montes ou partir para o exílio, únicas alternativas possíveis na altura para iludirem umha morte certa. Entre as vítimas de tamanho desmando, infâmia ou tropelia contam-se pessoas da mais variada condiçom, a abranger a totalidade do espectro social galego. As mais afectadas fôrom, sem dúvida, as classes populares: labregos, operários, artesáns e marinheiros. E isto foi assim em razom tanto do seu maior grau de organizaçom político-sindical —que os golpistas te- miam— quanto da sua participaçom sobranceira na oposiçom ao golpe de estado e, mesmo, I. Para um desenvolvimento mais detalhado desta caracterizaçom que aquí resumo nestas apertadas linhas, vid. C. F. VELASCO SOUTO, 1936. Represión e alzamento militar en Galiza, A Nosa Terra, Vigo: 2006.