Primeiro registro documentado do Jacu-estalo Neomorphus geoffroyi Temminck, 1820 para o bioma Caatinga Andrei Langeloh Roos 1,3 , Elivan Arantes de Souza 1 , Claudia Bueno de Campos 2 , Rogério Cunha de Paula 2 , Ronaldo Gonçalves Morato 2 1. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres – CEMAVE/ICMBio. BR‑230, km 11, FLONA da Restinga de Cabedelo, CEP 58300‑000, Cabedelo, PB, Brasil. E‑mail: andrei.roos@icmbio.gov.br 2. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros – CENAP/ICMBio. Estrada Municipal Hisaichi Takebayashi, 8.600, Bairro Usina, CEP 12952‑011, Atibaia, SP, Brasil. 3. Autor para correspondência. Recebido em 24/08/2011. Aceito em 1/11/2011. ABSTRACT: First documented record of the Rufous-vented Ground-Cuckoo Neomorphus geoffroyi Temminck, 1820 for the Caatinga biome. We reported the first records of the Rufous‑vented Ground‑Cuckoo Neomorphus geoffroyi for the caatinga region in northern Bahia. Those records were documented through camera trap photographs taken in May 2007 and August 2009, both in the Boqueirão da Onça region, municipality of Sento Sé. These records extend the known species’ distribution in approximately 400 km to the northwest, raising questions about its true distribution, habitat requirements, and subspecies’ range limits. KEY-WORDS: Bahia state, geographic distribution, range extension, Rufous‑vented Ground‑Cuckoo. PALAVRAS-CHAVE: Bahia, distribuição geográfica, extensão de distribuição, jacu‑estalo. Neomorphus geoffroyi geoffroyi (Temminck, 1820) – sem localidade tipo (Pinto 1964, Raposo et al. 2009). Ocorre nas florestas do leste da Bahia ao Recôncavo Baia‑ no. Pinto (1964) indica a probabilidade de ocorrência até o leste de Goiás: “… leste de Goiás (Espírito Santo do Peixe, no rio Tocantins)”. O táxon N. g. maximiliani Pinto, 1962 é considerando sinônimo júnior de N. g. ge- offroyi, pois sua localidade‑tipo é do sul da Bahia (Rio Gongogi). A espécie foi sinonimizada pelo próprio autor em obra subseqüente a descrição (Pinto 1964). N. g. amazonicus Pinto, 1964 – Forma sugerida por Pinto (1964) com ocorrência ao sul do rio Amazonas, leste do Pará, norte de Mato Grosso e a oeste do Mara‑ nhão. Não reconhecida no “Handbook of the birds of the world” e tratada como N. g. geoffroyi (Payne 1997). N. g. dulcis Snethlage, 1927 – Sua localidade tipo é a Lagoa Juparanã, Fazenda Santa Ana, Espírito Santo. Ocorre nas matas de baixada do sudeste do Brasil, no Rio de Janeiro, Minas Gerais, até o norte do Espírito San‑ to, embora o limite norte exato seja desconhecido (Pinto 1962, 1964, Grantsau 2010, L. F. Silveira in litt.). Embora a espécie não seja considerada globalmen‑ te ameaçada (Payne 1997, BirdLife International 2010), O jacu‑estalo Neomorphus geoffroyi Temminck, 1820 faz parte de um grupo de aves enigmáticas. Isso porque possui poucos registros documentados (Silveira 2008, Ra‑ poso et al. 2009, Filho 2011), sua área de distribuição e biologia são pouco conhecidas (Roth 1981) e ainda apre‑ senta dúvidas taxonômicas (Silveira 2008, Raposo et al. 2009). É um dos maiores representantes Neotropicais da família Cuculidae e por possuir pernas compridas e uma longa cauda, sua aparência se assemelha aos cracídeos. A despeito do seu porte relativamente grande, é muito dis‑ creta e de difícil visualização. Contudo possui uma vo‑ calização bem característica e um forte de estalar o bico, daí os nomes comuns jacu‑estalo, jacu‑queixada, jacu‑ ‑taquara (Sick 1997). Atualmente é reconhecido como uma espécie essen‑ cialmente terrícola e um seguidor conhecido de formigas de correição, se alimentando no solo de invertebrados, pequenos lagartos e anfíbios (Payne 1997, Sick 1997, Sigrist 2006, Silveira 2008). Acredita‑se que seja depen‑ dente de ambientes florestais requerendo amplas áreas de floresta natural (Sick 1997, Payne 1997, Silveira 2008), o que tem se confirmado pelos escassos registros (Pinto 1962, 1964). A espécie possui distribuição disjunta, ocorrendo no Brasil três formas das atualmente reconhecidas: Revista Brasileira de Ornitologia, 20(1), 81-85 Março de 2012 / March 2012 NOTA/SHORT-COMMUNICATION