EPIDEMIOLOGIA DA PTSD E AVALIAÇÃO DA RESPOSTA AO TRAUMA 35 2 EPIDEMIOLOGIA DA PERTURBAÇÃO PÓS-STRESS TRAUMÁTICO (PTSD) E AVALIAÇÃO DA RESPOSTA AO TRAUMA Ângela Costa Maia e Eugénia Fernandes Introdução A Perturbação de Stress Pós-Traumático (PTSD) foi primeiramente reconhe-cido como uma categoria de diagnóstico no Diagnostic and Stastistical Manual - III publicado pela APA em 1980, o que deu origem a um grande impulso na investigação e no tratamento desta perturbação. Mas o reconhecimento das situações de trauma como um factor de risco para o equilíbrio psicológico dos indivíduos, famílias ou organizações foi reconhecido muito antes (e.g. sobre civis e combatentes de guerra: Gillespie, 1942; sobre famílias: Hansen & Hill, 1964). Após a sua integração no DSM- III, em 1980, a designação de Post - Traumatic Stress Disorder começou a ser regularmente utilizada substituindo assim uma variedade de designações que coexistiam há muitos anos, relacionadas com a mesma perturbação, como choque nervoso (Page, 1885, citado por Joseph, Williams & Yule, 1997), neurose traumática (Oppenheim, 1892 citado por Joseph, et al., 1997), neurose de ansiedade (Freud, 1894 citado por Joseph, et al., 1997), neurose de susto (Kraeplin, 1886 citado por Joseph, et al. 1997) e choque de bombardeio (Mott, 1919; Southward, 1919, citados por Joseph, et al.1997). Enquanto no DSM-III o primeiro critério para o desenvolvimento desta patologia era a existência de um stressor reconhecido, o DSM-III-R (APA, 1987) associava o stress pós-traumático à vivência de experiências que estavam fora do âmbito das experiências normais dos seres humanos, e, por isso, raras. Sabemos hoje que a possibilidade de ao longo da vida ter contacto com experiências que constituem ameaças sérias para a pessoa não é assim tão rara e, por isso, no DSM-IV esta questão da raridade foi retirada. De facto dados recolhidos por vários autores têm verificado que a probabilidade de uma pessoa lidar ao longo da vida com um acontecimento