Os Quatro Polos Axiomáticos da Hipermodernidade no Diário de Um Ano Ruim, De J. M. Coetzee Gomes, G. K. Encontro de Ensino Pesquisa e Extensão da FAFICA, XIV Edição, 2015. p. 281-300 - ISSN 2447-7478 http://eepe.tmp.br/publicacoes/ _______________________________________________________________________________________ 281 OS QUATRO POLOS AXIOMÁTICOS DA HIPERMODERNIDADE NO DIÁRIO DE UM ANO RUIM, DE J. M. COETZEE Geam Karlo Gomes 1 (UEPB) Resumo: O mundo contemporâneo apresenta características que são fruto das transformações ocorridas nas áreas tecno-midiático-cultural, conjunturas que permitem evidenciar o estado das idiossincrasias culturais do mundo hipermoderno. (LIPOVETSKY; SERROY, 2011). Com essa dinâmica, a fisionomia dos novos tempos está estruturada através de uma sociedade desnorteada pela globalização das indústrias, pelo consumismo incessante, pelo crescimento desenfreado da tecnologia e pela crescente tendência individualista. Resta saber se estas manifestações se materializam como ameaça às comunidades emocionais, ou seja, ao tribalismo que toma proporções mais crescentes a partir da modernidade. (MAFFESOLI, 1987). Sendo a literatura parte integrante e indissociável da cultura e, refletindo significantemente a situação do universo que ela representa o homem e sua relação com o mundo , este artigo pretende situar como estão configurados os polos axiomáticos da hipermodernidade na obra Diário de um ano ruim, de J.M. Coetzee. Palavras-chave: Hipermodernidade. Hiperindividualismo. Tribalismo. Introdução A dinâmica cultural que se iniciou nas duas últimas décadas é atribuída por Lipovetsky e Serroy (2011) de hipermodernidade. Essa teoria aponta para o momento atual de exacerbação dos valores criados na modernidade. Para ele, numa evolução histórica, a cultura e todo social podem ser divididos em três grandes eras: a primeira é o estágio religioso, também considerado tradicional, cujo modelo puro é inerente às sociedades primitivas; a segunda é caracterizada pela revolução cultural, coincidente com os valores de igualdade, liberdade e o advento da democracia a era moderna; o terceiro modelo é o contemporâneo, com a globalização e a supervalorização do futuro. A esta ele atribui o termo hipermodernidade, que engloba toda a cultura-mundo. (LIPOVETSKY; SERROY, 2011). A obra desses autores é uma resposta a uma sociedade “desorientada” pela força do hiperconsumo, do hipercapitalismo, da hipertecnologia e do hiperindividualismo que transformou o sentido, a sociedade, as formas de vida e a dimensão econômica da sociedade contemporânea. Esses termos tentam traduzir, respectivamente, a intensa 1 Doutorando e Mestre em Literatura e Interculturalidade (UEPB). Graduado em Letras e Especialista em Ensino de Língua Portuguesa (UPE). E-mail: gkarlog@yahoo.com.br