DESENVOLVIMENTO DE AMBIENTE VIRTUAL PARA TREINAMENTO DE INTERFACE CONTROLADA POR RASTREAMENTO DO OLHAR ALEXANDRE L. C. BISSOLI, MARIANA M. SIME, BERTHIL B. LONGO, TEODIANO F. BASTOS-FILHO Laboratório de Automação Inteligente, Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica Universidade Federal do Espírito Santo Av. Fernando Ferrari, 514, Goiabeiras, Vitória-ES E-mails: alexandre-bissoli@hotmail.com, mariana.midori@gmail.com, berthilbl@gmail.com, teodiano.bastos@ufes.br Abstract Intelligent environments can be of great help for people with severe motor disabilities, allowing them to control the lighting and electronic equipment through a Human Computer Interface (HCI) controlled by Videooculography (VOG). In order to train the HCI for users, a Virtual Environment (VE) that simulates a house with the equipment to be driven was developed at UFES. The aim of this study is to present the VE here developed, the HCI based on eye tracking and evaluating its usability and performance during training. Volunteers, including two with disabilities, used and evaluated the system using the System Usabil- ity Scale (SUS). The SUS overall average was 92.5 points, which is considered an excellent device according to SUS classifica- tion. The performance was evaluated through a modified version of Goal Attainment Scale (GAS), and 14 out of the 16 partici- pants had performance above expectations by researchers. Keywords Intelligent environment, Virtual reality, Eye tracking, Usability Scale. Resumo Ambientes inteligentes podem ser de grande auxílio para pessoas com deficiência motora severa, permitindo-lhes controlar a iluminação e equipamentos eletrônicos de um ambiente através de uma Interface Humano-Computador (IHC), acio- nada por Videooculografia (VOG). Visando o treinamento para uso da IHC, foi desenvolvido na UFES um Ambiente Virtual (AV) que simula uma casa com os equipamentos a serem acionados. O objetivo deste trabalho foi apresentar o AV desenvolvido, a IHC por rastreamento do olhar, bem como avaliar a sua usabilidade e desempenho durante o treino. Ao todo, dezesseis pessoas, sendo duas com deficiência, utilizaram e avaliaram o sistema através do instrumento System Usability Scale (SUS). A média ge- ral do SUS foi 92,5 pontos, sendo considerado um excelente dispositivo, de acordo com a classificação do instrumento. O de- sempenho foi avaliado através de uma versão modificada da Goal Attainment Scale (GAS), sendo que 14 dos 16 participantes ti- veram desempenho acima do esperado pelos pesquisadores. Palavras-chave Ambiente inteligente, Realidade virtual, Rastreamento do olhar, Escala de Usabilidade. 1 Introdução Comprometimentos sensitivos, motores, de linguagem e comportamentais, em diversos níveis, são comuns em pessoas com deficiências motoras, acarretando em déficits não só para a realização de atividades do cotidiano, mas também na interação com pessoas e objetos (Pedretti e Early, 2004). Frequentemente, essas pessoas se tornam bastante dependentes de familiares e/ou cuidadores. Nesse sentido, o uso de dispositivos de tecnologia assistiva (TA) tem se apresentado como de relevante importância nos tratamentos de reabilitação, visto que tais equipamentos ampliam formas de comunicação, de mobilidade, de controle do ambiente, de integração com as redes sociais e de habilidades de aprendizado. O objetivo com uso da TA é melhorar a funcionalidade e a participação social dessas pessoas com deficiência (Luzo, Mello e Capanema, 2004). Em se tratando de pessoas com deficiência motora severa, um ambiente inteligente pode ser uma indicação, pois nele a iluminação e os equipamentos eletrônicos (TV, aparelho de som, ventilador) podem ser controlados mesmo com pouca mobilidade (pessoas com tetraplegia ou com doenças neuromusculares, por exemplo). Este controle pode ser realizado por meio de uma Interface Homem- Computador (IHC) (Rampinelli et al, 2012), configurada para ser acionada por Videooculografia (VOG). Eye tracking por VOG, ou rastreamento dos olhos é uma tecnologia que consiste em determinar o ponto de olhar da pessoa em uma tela. Nos chamados eye trackers, dispositivos equipados com eye tracking, os usuários podem utilizar o movimento dos olhos como uma modalidade de interface homem-computador, a qual pode ser combinada com outros dispositivos de entrada, tais como mouse, teclado, toque e gestos, possibilitando diversas aplicações: jogos, navegação web, e-livros, estudos de mercado e testes de usabilidade (Halton, 2008). Os eye trackers são utilizados para calcular o ponto onde o usuário está olhando, por meio de informações extraídas do seu rosto e olhos. As coordenadas do ponto são calculadas em relação a uma tela do monitor que o usuário está olhando, e são representadas por um par de coordenadas (x, y) indicado no sistema de coordenadas da tela (Figura 1). A fim de acompanhar o movimento dos olhos do usuário e calcular as coordenadas do ponto do olhar, o eye tracker deve ser colocado abaixo da tela do computador e apontado para o usuário, conforme indicado na Figura 1. Quando o sistema é calibrado, o software do eye tracker calcula o ponto do olhar do usuário com uma