1 Pedra afiada: a forma urbana da Rua Itambé pelas lentes bifocais de M. R. G. Conzen e Saverio Muratori Luciano Silva, Claudia Silva, Luciana Moreno Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Presbiteriana Mackenzie São Paulo, Telefone/fax: 55 011 949112415 - 55 011 984468511 - 55 011 954684655 lucianoabbamonte.silva@mackenzie.br - claudia.arq_urb@hotmail.com - lu.gamamoreno@gmail.com Resumo O presente artigo é produto do curso Morfologia Urbana Módulo 1, realizado em Maio de 2016 pelo Grupo de Estudo da Forma Urbana no Brasil – FU.bá, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Traz uma análise sobre o elemento urbano “rua” a partir de duas abordagens distintas, mas complementares: histórico-geográfica de M. R. G. Conzen, geógrafo alemão notadamente reconhecido pelo estudo da cidade de Alnwick (1960); e tipológico-processual de Saverio Muratori, arquiteto italiano que iniciou uma nova abordagem ao examinar os tecidos urbanos de Veneza e Roma (1959, 1963), fazendo do “tipo” o conceito chave para explicar o desenvolvimento histórico da cidade. Como estudo de caso, no contexto da região central do município de São Paulo, foi escolhida a Rua Itambé, que em tupi significa “pedra afiada”. Partiu-se da hipótese de que essa rua se comporta como um elemento de transição entre dois bairros, Consolação e Higienópolis, desempenhando um momento de inflexão no tecido urbano. A fim de verificar tal hipótese, foi aplicado o procedimento analítico de Conzen, que consiste de uma divisão tripartite da paisagem: planta – que seria o componente mais persistente da forma urbana; volume edificado – intermediário quanto à persistência; e uso do solo – mais variável no decorrer do tempo. Tal divisão tem por objetivo identificar e definir períodos e regiões morfológicas do tecido urbano, tendo como critério as semelhanças e características em comum entre seus elementos, bem como suas diferenças. Paralelamente, foi utilizado o procedimento analítico desenvolvido por Muratori, que, em oposição às análises quantitativas da forma urbana, propõe o estudo de dados qualitativos, como o parcelamento do solo e as constantes tipológicas na configuração dos tecidos urbanos. Para isso, utiliza de classificações segundo a escala dos elementos urbanos no decorrer da história, sendo estes: o traçado viário, o quarteirão, o lote e a edificação. Será apresentada uma breve descrição dos métodos e procedimentos analíticos de Conzen e Muratori em seus respectivos contextos, além de mostrar como tais procedimentos foram empregados – na prática – na Rua Itambé. Assim, uma comparação entre ambas as análises possibilitará verificar como os resultados alcançados podem contribuir para uma definição mais clara e precisa da Rua Itambé enquanto elemento urbano per se, mas também parte do tecido urbano em que se insere. Palavras-chave Forma urbana, Rua Itambé, Saverio Muratori, M. R. G. Conzen, elemento urbano