- 69 - Incorporação de amido anfótero e nanocelulose no papel Elaine Cristina Lengowski 1 , Eraldo Antonio Bonfatti Junior 1 UnC- Universidade do Contestado. elaine@unc.br 2 UFPR- Universidade Federal do Paraná Resumo A busca por alternativas que melhorem as propriedades do papel e diminuam o custo de produção da indústria de papel é contaste. Devido a isso esse trabalho propõe avaliar o efeito sobre as propriedades mecânicas do papel com a adição de nanocelulose microfibrilada, amido anfótero e uma mistura de ambos na formulação de papel com fibras de Pinus sp sem refino. Os resultados mostraram ganhos relevantes em relação a testemunha para as propriedades de tração e arrebentamento para todas as formulações com aditivo, sendo que os maiores ganhos foram para papéis com amido anfótero na composição. Palavras-chave: Nanotecnologia; Propriedades físico-mecânicas; Aditivo 1. Introdução Com um mercado cada vez mais competitivo e exigente, a sustentabilidade das empresas é mantida com o desenvolvimento de novos produtos, com características e propriedades diferenciadas, que garantam qualidade exigida pelos consumidores e com menor custo de produção e consumo energético. No setor papeleiro muitos aditivos químicos são empregados visando que melhorem as propriedades mecânicas, físicas e ópticas do papel (GULLICHSEN e PAULAPURO, 2000a). Dentre os produtos que podem ser empregados para melhora das propriedades estão os amidos, as gomas vegetais, a carboximetilcelulose (CMC) e os polímeros sintéticos (SENAI, 2013; GULLICHSEN e PAULAPURO 2000b) e recentemente as nanoceluloses (WANG e SAIN, 2007; SPENCE, 2011; IOELOVICH, 2010). A capacidade de retenção de aditivos no papel depende de alguns fatores, como a quantidade de aditivos a ser adicionada, as condições do processo de adição e interação com a massa celulósica, resultando em interações química ou físicas com os elementos fibrosos (MONTEIRO, 2000) além do tamanho das partículas (RABELLO, 2000). As nanoceluloses são extraídas das fibras vegetais e têm apresentado bons resultados, pois aliam fatores de sustentabilidade a melhoria de propriedades mecânicas, físicas e térmicas (MOHANTY; DRASAL; MISRA, 2003; PODSIADLO et al., 2005). Após sua secagem, as nanoceluloses apresentam uma força de adesão alta, o que propicia a formação de filmes extremamente resistentes. Já o amido é um dos insumos mais antigos na indústria de fabricação de papel (GULLICHSEN e PAULAPURO, 2000b; ZHANG et al., 2005), sendo largamente empregado para melhorar as propriedades mecânicas e superficiais do papel, mas também aplicado como adesivo para colagem de sacos, tubos, papeis laminados, papelão corrugado e revestimentos (TAMEZAVA, 1981; SENAI, 2013). Os amidos modificados são os que apresentam os melhores resultados quanto a interação com as fibras devido a mudança nas suas cargas superficiais, aumentando a resistência do papel, aumentando a retenção de finos e reduzindo o tempo de refino (GULLICHSEN e PAULAPURO 2000b; ALMEIDA et al., 2007). Esse trabalho teve como objetivo analisar o efeito isolado e combinado da adição do amido anfótero e da nanoceluloses microfibrilada sobre as propriedades de papel produzido com polpa não branqueado sem refino de Pinus sp.