42 43 ‘’Êee Fábio... imagina tudo isso aqui virar soja’’. Com um sorriso algo apreensivo e um olhar receoso, o comentário de Seu Braz, cacique ge- ral dos Tupinambá no Baixo Tapajós, logo no primeiro dia de intensa caminhada na loresta, era um desabafo sincero acerca dos perigos que rondam a região. Os motivos que levaram o cacique, morador da aldeia de São Francisco localizada na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns (Resex Tapajós-Arapiuns) em Santarém (Pará), a organizar a abertura de uma picada junto a outros guerreiros Tupinambá e demarcar, de manei- ra autônoma, o seu território milenar são diversos: de um lado, as amea- ças crescentes com a expansão do agronegócio, as madeireiras e a mine- ração; de outro, a inação da Funai e do governo federal para proteger os direitos das populações indígenas. por Fábio Zuker ilustrações de Daniel Lie A autodemarcação da Terra Indígena Tupinambá no Baixo Tapajós