Anais eletrônicos do XI Congresso da BRASA (Brazilian Studies Association). Champaign-Urbana (Illinois, Estados Unidos), 6 a 8 de setembro de 2012. 1 CLUBE DA ESQUINA: DISPUTAS POR LEGITIMIDADE NO CAMPO ARTÍSTICO DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA 1 Sheyla Castro Diniz 2 O trabalho que elaborei para ser apresentado no XI Congresso da Brasa foi discutido com maiores detalhes em minha dissertação de mestrado concluída junto ao programa de pós- graduação em Sociologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp/Brasil): “Nuvem cigana”: a trajetória do Clube da Esquina no campo da MPB (DINIZ, 2012). Dentre outros aspectos abordados em minha dissertação, problematizei algumas questões que se colocaram de maneira bastante saliente na medida em que eu avançava em minhas análises. Por meio de investigação bibliográfica, discográfica e de várias outras fontes (como matérias jornalísticas, biografias, depoimentos e entrevistas), percebi a ocorrência e a atualidade de um processo que visa garantir ao Clube da Esquina um lugar de destaque no interior de um campo de debates acerca da Música Popular Brasileira. Antes de prosseguir na direção desse argumento, convém situar o Clube da Esquina em seu contexto de gestação e atuação artística. No início dos anos 1960, a capital do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, sediou os primeiros encontros de alguns dos que seriam os protagonistas da turma, conhecida também como o “grupo dos mineiros”, embora nem todos possuíssem a mesma origem. Milton Nascimento e Wagner Tiso, ambos com cerca de 20 anos, partiram da pequena cidade de Três Pontas, em Minas Gerais, rumo à capital do Estado, onde encontraram uma efervescente vida política e cultural. Ali, eles puderam aprimorar seu gosto pelo jazz e pela Bossa Nova ao tocarem e se relacionarem com vários compositores e instrumentistas ligados a esses estilos. 3 Nessa mesma época, Milton Nascimento tornou-se amigo dos então estudantes e futuros letristas Fernando Brant (que era fã de escritores tais como Guimarães Rosa, Carlos 1 Artigo elaborado com base na comunicação oral apresentada no Grupo de Trabalhos “Brazilian Popular Music”, durante o XI Congresso da BRASA. 2 Graduada em Música e em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU/Brasil). Mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp/Brasil), onde cursa, atualmente, o doutorado na mesma área de estudos. Endereço eletrônico: sheyladiniz@yahoo.com.br . 3 Em 1964, Milton Nascimento e Wagner Tiso, para além de terem integrado o Berimbau Trio (conjunto de jazz e Bossa Nova destinado a animar as noites da Boate Berimbau no edifício Maleta, em Belo Horizonte), gravaram com o bossa-novista mineiro Pacífico Mascarenhas o LP Muito pra frente (Odeon, 1965). Aproveitando que as gravações ocorreram no Rio de Janeiro, Wagner Tiso resolveu permanecer por lá em busca de maiores oportunidades no meio musical, enquanto que Milton Nascimento continuou morando em Belo Horizonte até se mudar para São Paulo e, depois, para o Rio de Janeiro, na ocasião em que conquistou o segundo lugar com a canção “Travessia” (dele e de Fernando Brant) no II Festival Internacional da Canção (II FIC), evento organizado e exibido pela TV Record em 1967.