Educomunicação: o pensamento latino-americano sobre educação para a mídia e a produção literária nacional sobre o tema 1 . Lígia Beatriz Carvalho de Almeida 2 Resumo O conteúdo apresentado neste artigo resulta de pesquisa de revisão de literatura, desenvolvida nos anos de 2009 a 2012, que integrou a tese de doutorado da autora. Para alcançar o objetivo de demonstrar as peculiaridades da produção literária latino-americana sobre educação para a mídia são destacadas suas similitudes e disparidades em relação a outras tendências que permeiam e permearam o cenário global e que a influenciaram. Apesar de os autores latino- americanos, incluindo-se os brasileiros, apresentarem uma produção peculiar, suas obras expõem um pensamento multifacetado em polifonia com as diversas vozes que o originaram. Tendo a atividade mídia-educativa se originado no contexto europeu, no início do século XX, disseminou-se nos diversos continentes e por refletir anseios éticos e político-culturais acabou adquirindo contornos próprios em cada localidade. As raízes epistemológicas da educação para a mídia, ou mídia-educação, ou ainda, educomunicação, como vem sendo chamada na América Latina, foram construídas considerando o arcabouço teórico de diversas áreas do saber, como sociologia, filosofia, linguística, semiótica, história da arte, literatura, culturalismo na educação, teoria crítica, além de alguns mais específicos da comunicação social, como a sociologia da comunicação de massa, os estudos do cinema e vídeo, da mediação e da representação. Dessa forma, na produção dos latinos ressoam as vozes de autores europeus e norte-americanos, como Benjamin, Adorno, Bourdieu, Foucault, Bauman, Perrenoud, Ianni, Eco, Flusser, Baudrillard, McLuhan, Chartier, De Certeau, Barthes, Lévi- Strauss, Bakhtin, Vygotsky, Len Masterman, Stuart Hall, David Buckingham, Sonia Livingstone, Geneviève Jacquinot-Delaunay, Pier Cesare Rivoltella e Douglas Kellner. Elas constituem um núcleo comum nas diferentes linhas de pensamento encontradas, há, porém, especificidades em cada localidade quanto às finalidades e as metodologias de trabalho. Na América Latina, a produção adequou-se às necessidades políticas e culturais, desenvolvendo uma matriz original por meio do trabalho de pesquisadores latino-americanos e do diálogo entre eles. A linha mestra da literatura latino-americana sobre o tema advém de autores como: Mário Kaplún, Jesús Martin-Barbero e Ismar de Oliveira Soares, no entanto Paulo Freire e José Marques de Melo, têm que ser mencionados pela decisiva contribuição que ofereceram. No final da década de 1960, o trabalho em prol da educação popular de adultos visando sua libertação da opressão ditatorial, protagonizado pelo brasileiro Paulo Freire, alia- se a dois outros. O primeiro almeja o desenvolvimento de estratégias para a comunicação comunitária, sendo liderado pelo uruguaio Mario Kaplún e o segundo, a disseminação da leitura crítica da comunicação, encabeçado pelo espanhol estabelecido na Colômbia, Martin- Barbero. Assim, na década de 1970, são lançadas as obras: Extensão ou comunicação (1971) 1 ALMEIDA, L. B. C.. Educomídia: resgate do pensamento latino-americano. In: José Marques de Melo; Mauro de Souza Ventura; Maria Cristina Gobbi. (Org.). Pesamento Comunicacional Latino-Americano através da Literatura: Jorge Fernández ícone midiático. 1ed.São Paulo: INTERCOM/UNESCO/UMESP (PPGCOM), 2013, v.2, p. 95-118. 2 A autora é doutora em educação e mestre em comunicação midiática, pela UNESP, bacharel em comunicação social com habilitação em radialismo, pela Universidade de São Paulo. Atua como docente nos cursos de comunicação social da Universidade do Sagrado Coração, Bauru, SP, onde coordena o curso de Publicidade e Propaganda, sendo também pesquisadora na instituição, integrando o grupo de pesquisa Comunicação, Mídia e Sociedade. E-mail: ligiabia@gmail.com.