SemiEdu 2016 Saberes e Identidades; Povos, Culturas e Educações - Cuiabá/MT - 03.10.2016 a 05.10.2016 UFMT ISSN: 2447- 8776http://srvdotnet.com.br/semiedu2016/FrmAnais.aspx?eventoUID=117 EDUCAÇÃO NAS PRISÕES: ENTRE RESISTÊNCIAS E CONFLITOS. ESTUDO DE CASO DO CENTRO DE RESSOCIALIZAÇÃO DE CUIABÁ/MT GT 16- Movimentos Sociais e Educação Guilherme Rosa de Almeida (DOCENTE/SEDUC) guilhermealmeida1@yahoo.com.br Resumo: A educação dentro do sistema penitenciário enfrenta diversos obstáculos, os espaços prisionais não foram pensados como espaços pedagógicos, mas sim como espaços de punição. Neste trabalho debatemos a necessidade de estratégias de resistências e um perfil militante para exercermos à docência nestes espaços, relatando desafios e complexidades para o exercício profisisonal. Estaremos ainda apresentando como objeto de estudo específico o Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC), unidade prisional masculina, em Cuiabá/MT, destinada a 470 homens e sempre superlotada. Os discursos e as práticas dentro da prisão são analisados em suas contradições seja por parte da gestão penitenciária, dos agentes penitenciários, dos docentes, presos e suas lideranças, no que tange em especial a prática educativa formal. O trabalho tem como fundamentação metodológica no materialismo-histórico-dialético, que parte da realidade material concreta para construirmos o conhecimento. O desenvolvimento da análise e síntese desta investigação confronta os discursos, os dados e a realidade encontrada, sempre historicizando os processos para compreende-los. Lembrando ainda que o nosso posicionamento político-crítico-social frente as contradições estarão sempre presente. Utilizamos como técnicas metodológicas os dados registramos neste período de docência, entrevistas com colegas de profissão e leitura bibliográfica indicada. Palavras-chave: Educação, Conflitos, Cotidiano, Resistências e Militância 1 Introdução Vivemos uma crise no sistema penitenciário brasileiro, entre 1990 e 2014 passamos de cerca de 90.000 presos para cerca 711.463 em 2015 1 , incluindo aqui os presos domiciliares. O clima de insegurança gerado pelos motins, fugas e violência no cárcere são constantes e já fazem parte de nosso cotidiano através da mídia. Este processo de encarceramento em massa que presenciamos parece não colaborar com a diminuição das taxas de violência urbana e com a reincidência à prisões. Neste momento no País está sendo debatida uma reforma do Código Penal 2 que prevê penas mais severas para progressão de regime entre outras reformas que endurecem o sistema e ainda uma Proposta de Emenda à Constituição 171/93 que prevê a redução da maioridade penal para 16 anos. 1 Conselho Nacional de Justiça (2015) . Disponível em http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/61762-cnj-divulga- dados-sobre-nova-populacao-carceraria-brasileira / Acesso em 07/07/2016. 2 Reforma do Código Penal. Disponível em: http://www12.senado.gov.br/noticias/videos/2014/04/conheca-os- principais-pontos-da-reforma-do-codigo-penal. Acesso em 27/10/2014.