Conferência apresentada no XII Congresso Internacional da ALED. Universidad Católica - Santiago do Chile, 18 de outubro de 2017 DECOLONIZAR OS ESTUDOS CRÍTICOS DO DISCURSO: POR PERSPECTIVAS LATINO-AMERICANAS Viviane de Melo Resende Um teórico poderia dizer: são os exemplos que atrapalham a teoria; um empirista poderia retrucar: a teoria congela os dados. Precisamos do reconhecimento intermediário. Teorias são necessárias, mas precisam ser confrontadas com a realidade situada. Devem ser consideradas válidas em um dado contexto apenas as teorias que servem como potência explanatória. Isso nem sempre é considerado quando se trata de importar modelos teóricos ou metodológicos nos estudos do discurso. Em que pese uma tradição já consolidada dos estudos discursivos na América Latina, com posição destacada nos programas de pós-graduação da área de Letras e Linguística e um pulsante calendário de eventos anuais da área, pode-se dizer que há muita aplicação do saber importado e pouca criatividade teórica ou metodológica local. Os estudos do discurso dividem-se basicamente em duas grandes linhas: a análise de discurso francesa e a análise de discurso inglesa. Só os nomes pelos quais conhecemos essas vertentes de estudos discursivos já nos dizem da colonialidade do campo. Essa colonialidade de saberes do discurso, de forma mais imediata, significa um grande esforço de aplicação de teorias tomadas como universalmente válidas e pouco modificadas no contexto situado, mas também tem implicações sobre o ser analista de discurso nesse local de subalternidade no campo acadêmico – esse espaço que ocupamos as pesquisadoras de discurso latino-americanas em relação a nossos pares do Norte global – e sobre o poder pensar alternativas teóricas. O esforço decolonial desse campo, então, deveria dirigir-se a três caminhos convergentes: decolonizar o saber, no sentido de lograr criticar teorias e métodos, compreendendo, que não há conhecimento universal; decolonizar o poder da ação criativa no esforço de superação desse conhecimento universalizante, isto é, assumir a potência de criação teórica e metodológica local, especialmente por meio do constante questionar da separação disciplinar e suas imposições; e decolonizar o ser, fazendo uso estratégico desse espaço paradoxal, o que carrega as potencialidades da comunhão de saberes, incluindo também o conhecimento comum. Tudo isso deve ter impacto sobre a educação