17 A concepção clássica de definição e as teorias estéticas tradicionais Jean Rodrigues Siqueira 1 Introdução Este trabalho está dividido, conforme seu título já permite antecipar, em duas seções principais. Inicialmente, veremos em que consiste a aqui chamada ―concepção clássica de definição‖, isto é, quais são suas características mais rele- vantes e quais procedimentos metodológicos estão associados à sua obtenção. Esses aspectos serão colocados em destaque mediante uma consideração de sua gênese histórica, mais pre- cisamente o exame dos escritos de Platão (428-7 a. C. 348-7 a. C.) nos quais tal concepção foi expressamente articulada. A abordagem socrático-platônica do caráter normativo das defi- nições contribuiu de modo decisivo para o estabelecimento das bases teóricas da mais predominante e duradoura explica- ção filosófico-psicológica a respeito dos processos de categori- zação 2 . Na segunda seção, examinaremos três tentativas para- 1 Doutor em Arte, Educação e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Mestre em Filosofia pela Pontifícia Univer- sidade Católica de São Paulo e Bacharel em Filosofia pela Universi- dade São Judas Tadeu. Professor do curso de Filosofia do Centro Universitário Assunção. 2 Não é arbitrário, portanto, que a prestigiada coletânea de textos reunida por Laurence e Margolis (1999) inaugure a seção dos escritos antologizados no livro com a íntegra do diálogo Eutífron, de Platão (sobre o qual nos debruçaremos logo mais adiante). A respeito da importância da concepção clássica, a cuidadosa introdução escrita pelos organizadores (na verdade, seu capítulo 1) também é bastante clara: ―Seria difícil exagerar a predominância histórica da Teoria Clássica. Aspectos dessa teoria remontam à antiguidade (ver Platão,