O ensino das disciplinas teóricas na Academia das Belas Artes Camila Dazzi DAZZI, Camila. O ensino das disciplinas teóricas na Academia das Belas Artes. 19&20, Rio de Janeiro, v. XI, n. 2, jul.-dez. 2016. Disponível em: <http://www.dezenovevinte.net/ensino_artistico/disciplinas_enba.html>. * * * 1. Não são poucos os escritos acadêmicos que se debruçam sobre o ensino da arte na Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro. Especial atenção foi dada aos detalhes mais práticos da formação dos artistas e às diferentes etapas de seus aprendizados, desde a á cópia de gravuras até as aulas de modelo vivo. No entanto, pouca luz foi lançada à formação teórica destes artistas: Eles estudavam história da arte? A estética fazia parte de seus currículos? O conhecimento necessário para a realização de telas de assunto literário era fornecido? Tinham eles aulas de mitologia e arqueologia? 2. Ao longo do presente texto, procuraremos responder às perguntas acima formuladas. Além disto, abordaremos as mudanças que ocorreram na formação dos artistas no que tange às disciplinas teóricas, como a história da arte, após a Reforma de 1890, que transformou a Academia em Escola Nacional de Belas Artes e que trouxe importantes mudanças para o ensino ofertado pela instituição. 3. A compreensção de como era a formação teórica dos artistas brasileiros no séulo XIX só é possível graças ao acervo do Museu Dom João VI, da Escola de Belas Artes da UFRJ, onde se encontram documentos preciosos sobre o ensino de belas artes no Brasil oitocentista, assim como sobre a trajetória de vários artistas que por ali passaram. O acervo reúne um arquivo com extensa documentação da instituição: livros de matrículas, livros de atas da congregação, livros de correspondências, além de documentos avulsos. 4. O recorte temporal adotado no presente artigo vai de 1855, quando ocorre a Reforma Pedreira na Academia Imperial das Belas Artes, até os primeiros anos após a Reforma de 1890, que transformou a Academia em Escola Nacional de Belas Artes. O artigo, igualmente, atribui maior destaque às formações em pintura e escultura, ofertadas pela Academia e posteriormente pela Escola, ainda que o leque de opções dos artistas fosse mais amplo, variando, de acordo com o período da história da instituição, entre pintura, escultura, arquitetura, música e gravura. O arco temporal abordado e o enfoque na formação dos pintores e escultores se devem em função do presente texto ser adaptado a partir da tese de doutoramento “Pôr em prática a reforma da antiga Academia”: a concepção e a implementação da reforma que instituiu a Escola Nacional de Belas Artes em 1890, defendida em 2011. [1] Não nos deteremos, aqui, em elucidar o recorte temporal e as escolhas adotadas na tese, que pode ser consultada on-line.