1 Journal of Applied Pharmaceutical Sciences JAPHAC, 2017; 4(2): 1 - 7 Rodrigues et al., 2017 Perspectivas Evolução do tratamento farmacológico da Hepatite C crônica: da monoterapia com o Interferon convencional aos novos fármacos de ação direta João Paulo Vilela Rodrigues 1,2* , Bruna Forte Aguiar 2 , Leonardo Régis Pereira 1,2 1 - Faculdade de Farmácia, Universidade Federal do Rio Grande so Sul, Porto Alegre, Brasil; 2 - Centro de Pesquisa em Assistência Farmacêutica e Farmácia Clínica, Departamento de Ciências Farmacêuticas, Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, Brasil. * Autor correspondente: jpvilela@fcfrp.usp.br __________________________________________________________________________________ Isolado e identificado em 1989 [1], o vírus da hepatite C (HCV) é um retrovírus que causa doença hepática crônica na maioria dos infectados. Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), mundialmente, cerca de 110 milhões de pessoas apresentam anticorpos contra o HCV, dentre as quais pouco mais de 80 milhões têm hepatite C crônica (HCC), e ocorrem, a cada ano, aproximadamente 400 mil mortes associadas ao vírus cuja transmissão é predominantemente parenteral [2, 3]. Ainda de acordo com a OMS, nos países de baixa e média renda, onde vivem 70,0% dos doentes crônicos, o número de indivíduos que se infectam anualmente é consideravelmente superior ao número de pessoas tratadas e curadas nestas mesmas regiões, no mesmo período. Dados publicados pelo Ministério da Saúde (MS), por meio do Boletim Epidemiológico das Hepatites Virais do ano de 2015, indicaram que 1,5 milhão de pessoas estariam infectadas pelo HCV no Brasil [4]. Com relação aos tipos virais, o genótipo 1, que compreende 46,2% de todos os casos, é o mais prevalente no mundo, o genótipo 3 é o segundo mais prevalente (30,1%), os genótipos 2, 4 e 6 são responsáveis por 22,8% das infecções e menos de 1% dos indivíduos infectados têm o genótipo 5 [5]. Em geral, a evolução da HCC é assintomática ou ocorrem sinais e sintomas inespecíficos durante anos ou décadas e as condições clínicas evidentemente relacionadas ao comprometimento do fígado são observadas em estágios avançados da fibrose hepática [6]. A cirrose hepática (CH) é o grau mais avançado de fibrose e está relacionada a outras complicações, como, hipertensão portal, ascite, varizes esofágicas, esplenomegalia, insuficiência hepática e carcinoma hepatocelular (CHC). A tabela 1 descreve a escala METAVIR, proposta para o estadiamento da HCC, de acordo com a atividade inflamatória e a fibrose hepáticas [7]. Artigo Convidado