Paper a ser apresentado no I Congresso Internacional em Humanidades Digitais, Rio de Janeiro, abril/2018. Ética e linguagem nos encontros pós-humanos Ethics and language in the posthuman encounters Marcelo El Khouri Buzato UNICAMP mbuzato@g.unicamp.br Resumo. A noção de uma sociedade constituída por sujeitos pós-humanos, entendidos como assemblages de sistemas biológicos e não-biológicos, desafia teorias éticas tradicionais, já que o hibridismo do agente ético implica ambiguidade do sentido (ético) da ação. Propõe-se que, no cerne desse dilema, está um tipo de ambiguidade constitutiva das línguas naturais e argumenta-se que seguir as traduções e negociações de significados humanos e maquínicos à luz dessa ambiguidade é uma abordagem conveniente para a pesquisa de uma ética pós-humana. Abstract. The notion of a society constituted by post-human subjects, conceived as assemblages of biological and non-biological systems, challenges traditional ethical theories, since the hybridity of the ethical agent implies ambiguity of the (ethical) sense of its action. It is proposed that, at the heart of this dilemma, is a kind of ambiguity that is constitutive to natural languages and an argument is put forward that following the translations and negotiations between human and machine meanings is a convenient approach to researching on a posthuman ethics. 1. Introdução O enfrentamento de questões éticas tais como invasão de privacidade, algoritmos "discriminatórios", linchamento virtual ou fake news é frequentemente baseado numa dicotomia entre sujeito (geralmente humano) e objeto (o instrumento, geralmente não-humano) que sugere estratégias maniqueístas de investigação e ação política. Contudo, a recente constatação de que somos todos ciborgues, fusões de sujeito e objeto, abre caminho para um outro tipo de estratégia, baseada no pressuposto de que o agente ético é uma assemblage de elementos biológicos e não-biológicos cuja identidade e agentividade resultam da associação entre elementos heterogêneos num mesmo agente híbrido (LATOUR, 1992, 2005). O problema que se coloca neste trabalho é justamente o de como investigar-se questões éticas em comunidades pós-humanas segundo uma lógica não dicotômica, coerente com a natureza