180 REVISTA THÉSIS | 03 Janeiro / Outubro 2017 | ISSN 2447-8679 Cybelle S. Miranda, Marcia R. Monteiro. Arqui- tetura assistencial e saúde: discutindo concep- ções e protagonistas Thésis, Rio de Janeiro, v. 2, n. 3, p. 180-197, jan./out. 2017 data de submissão: 10/05/2016 data de aceite: 25/04/2017 Arquitetura assistencial e saúde: discutindo concepções e protagonistas Cybelle S. Miranda, Marcia R. Monteiro Cybelle S. Miranda é Doutora em Antropologia, professora do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo- UFPA; cybelle1974@hotmail.com Marcia R. Monteiro é Doutora em Ciências Humanas, professo- ra da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – UFAL; mrmontei@ hotmail.com Resumo Inscrita no corpo das investigações sobre a arquitetura da saúde, a deinição de concepções da Arquitetura, cumprindo o papel de ‘auxílio’ proposto sob o signo da caridade, da ilantropia e da as- sistência, constitui o cerne deste artigo. Propõe-se destacar o pro- jeto de arquitetura, considerando o entrelaçamento desses dois campos de saber: arquitetura e saúde, na trajetória histórica da instituição hospitalar, seja em aspectos físico-funcionais, estéti- cos, médico-cientíicos, tecnológicos, geográicos, socioculturais, políticos ou econômicos. Cumpre ainda compreender a Arquitetu- ra assistencial no contexto de seus inanciadores e projetistas, se- jam eles monarcas, arquitetos, médicos, mecenas, ilantropos ou instituições, acentuando os trânsitos entre Brasil e Portugal, nos séculos XIX e XX e o diálogo com pesquisadores de outros domí- nios territoriais. Este artigo, que apresenta os resultados da ses- são que compôs o IV ENANPARQ, faz parte do Grupo de pesquisa “Saúde e Cidade: arquitetura, urbanismo e patrimônio cultural”, registrado no Conselho Nacional de Pesquisa – CNPq (Brasil), re- unindo pesquisadores da Universidade Federal do Pará e da Fun- dação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e busca dar continuidade ao Coló- quio Internacional Arquitetura assistencial luso-brasileira da Idade Moderna à contemporaneidade: espaços, funções e protagonistas, realizado em novembro de 2015 em Lisboa, em cooperação entre a Universidade Federal do Pará, a Universidade de Lisboa e a Uni- versidade Lusíada, integrando neste painel a Universidade Federal de Alagoas. No âmbito das pesquisas realizadas por esse Grupo, as investigações sobre a arquitetura da saúde ampliaram-se, ga- nhando novos contornos com o diálogo interinstitucional, no Brasil e Além-Mar, abrangendo a assistência à saúde da população de um modo geral e suas especiicidades como a institucionalização da assistência à saúde do trabalhador, sempre entendidas a partir da materialidade da Arquitetura, em que aspectos estéticos e téc- nicos somam-se às demandas socioculturais. Palavras-chave: arquitetura assistencial, patrimônio da saúde, modelos hospitalares, intercâmbios culturais. Abstract Inscribed in the body of research on the health architecture, the deinition of conceptions of architecture, fulilling the role of ‘aid’ proposed under the sign of charity, philanthropy and service, is at the heart of this paper. It’s proposed to highlight the architectural design, considering the intertwining of these two ields of knowl- edge: architecture and health, the historical trajectory of hospitals, either in physical and functional aspects, aesthetic, medical and scientiic, technological, geographical, socio-cultural, political or economic. We should also understand the Assistance Architecture in the context of its funders and designers, be they monarchs,