Por: Fernando Diogo Sociólogo Professor da Universidade dos Açores In Sarmento, Manuel e Veiga, Fátima (org.), Pobreza Infantil: Realidades, desafios, Propostas, Ribeirão, Húmus, 2010. Da Pobreza Infantil aos perfis de pobreza infantil, um caminho a trilhar Introdução Este trabalho é estruturado em volta da ideia de que é necessário saber mais sobre a pobreza infantil em ordem a elaborarem-se perfis que permitam uma intervenção centrada nos alvos certos por oposição a uma intervenção mais difusa, baseada na experiência dos indivíduos e em políticas fundadas em análises do rendimento das famílias. Tencionamos problematizar o conceito de pobreza infantil e apresentar exemplos empíricos que sustentam esta necessidade de saber mais. Terminaremos apresentando as áreas que são, para nós, as que exigem mais atenção na intervenção social junto de crianças em situação de pobreza infantil. As actuais formas de trabalho com a pobreza infantil e com todo o universo de questões que gravita na sua órbita, apresentam em nosso entender, dois grandes problemas, por um lado, no terreno, os técnicos que se relacionam com as crianças pobres utilizam, à falta de melhor, a sua experiência individual. Se a experiência individual não deixa de ter um valor elevado na nossa vida do dia-a-dia, no processo de intervenção social pode facilmente ser contraproducente dado que tendemos a generalizar os casos que conhecemos para todos os casos e, quase sempre, a realidade é mais matizada e complexa do que a nossa experiência nos permite inferir. O resultado é fazermos diagnósticos errados e tentarmos aplicar as mesmas soluções a casos diversos com resultado nulo ou perverso (contrário ao pretendido). Por outro lado, ao nível da definição das políticas de mitigação e combate dos problemas sociais, as definições de pobreza são baseadas em patamares de