XIII Encontro da ABRALIC Internacionalização do Regional 10 a 12 de outubro de 2012 UEPB/UFCG Campina Grande, PB “RAIZ QUADRADA DE MENOS UM”, CONTO DEGENERADO DE SAMUEL RAWET 1 Luciano de Jesus Gonçalves 2 (UFMS) Resumo: A investigação da arquitetura do conto rawetiano e a explicitação das posições temático-formais utilizadas pelo contista na prática de sua narrativa se configuram como objetivos iniciais do trabalho. Para a realização do intento, selecionamos o conto “Raiz quadrada de menos um”, da coletânea Os sete sonhos, 1967. Na literatura rawetiana, a pesquisa epistemológica do conto se dá na estruturação do texto e nos desejos de seu narrador em face da construção de um conto/novela no qual pretende fundir a passagem da morte de Sócrates e os delírios paranoicos de um epilético. O trabalho verifica, por fim, que, na prosa de Rawet, o degenerar-se se concretiza, basicamente, em duas estratégias: a primeira relaciona-se ao encadeamento narrativo, ou seja, no conto que, construído com base na economia linguística, excede-se nos universos referenciais possíveis, mencionados de forma dissimuladamente aleatória e ingênua, por meios de procedimentos extenuados no elencar de referências que extrapolam o literário; a segunda estratégia gira em torno da falsa negação da narrativa, o que resulta no conto a ser construído, a ser narrado. O recorte compõe um universo mais amplo e o resultado pretendido é a elaboração de um projeto de doutorado sobre as questões aventadas nessa breve comunicação. Palavras-chave: gênero, narrativa, excesso. 1 O fim... A figura de Sócrates é emblemática para a construção da filosofia ocidental. O filosofo é conhecido como o “pai da filosofia” e, ao contrário dos seus contemporâneos, não escreveu. De início, as afirmações parecem descabidas e mesmo desnecessárias. Aqui, elas servirão de ponto de partida. Em algumas medidas, Sócrates é comparado a Jesus Cristo. Respaldadas as devidas diferenças, a figura símbolo do cristianismo é responsável por trazer a nova Lei. Sócrates, por outro lado, é relembrado como aquele que afirmava que só sabia que não sabia. É esse último que negará a imagem do heroi, do sábio e poderá ser visto mais como átropos, um deslocado, sem lugar, e, talvez, degenerado. Não esqueçamo-nos, porém, que todos os dados referentes à vida de Sócrates foram-nos repassados por fontes indiretas. Reconstituir exatamente a vida de uma figura como esta é tarefa das mais complexas, senão impossível 3 . 1 A versão inicial desse texto foi apresentada como trabalho final da disciplina "Figuras do excesso na prosa de ficção brasileira (século XX)", ministrada pela Profa. Dra. Eliane Robert Moraes, do Programa de Pós-Graduação em Literatura Brasileira da Universidade de São Paulo. 2 Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, campus de Três Lagoas. E- mail: lj_goncalves@hotmail.com. 3 Cf. a esse respeito o capítulo “Os sofistas e Sócrates: o humano como tema e problema”, especia lmente o tópico “Sócrates: o elogio da filosofia” (CHAUÍ, 2002, p. 177-206), referência a quem devotamos as informações aqui apresentadas sobre Sócrates.