MESTRADO EM COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO EM CIÊNCIA-UA CULTURA e CIÊNCIA UNIVERSIDADE DE AVEIRO 2004 O Milénio de Gutenberg : do desenvolvimento da Imprensa à popularização da Ciência por Pedro João Gaspar Resumo: A comunicação escrita assume um papel fundamental no desenvolvimento e na divulgação do conhecimento científico. Os meios de comunicação em geral cresceram a um ritmo muito elevado, e atingem na actualidade uma grande capacidade de armazenamento, alta velocidade de comunicação e transformação eficiente de dados, flexibilidade e acessibilidade à informação (de que a Internet é o elemento mais emblemático). Mas foi o desenvolvimento da imprensa o momento chave neste processo. A Revolução Científica iniciada na Europa nos finais do séc.XVI e início do séc.XVII reforçou o papel da imprensa no desenvolvimento e divulgação da ciência, mesmo que ainda não se possa, neste período, falar numa democratização do conhecimento científico. Actualmente conceitos como literacia científica e ciência como cultura alicerçam os seus princípios na democratização da divulgação do conhecimento científico, de que a comunicação escrita, em qualquer dos seus formatos, é um vector imprescindível. Palavras Chave: Imprensa, comunicação, conhecimento científico. 1 – Introdução É a Gutenberg, Johann Gensfleish (1397-1468), nascido na cidade de Móguncia (Alemanha), que a história atribui o mérito principal da invenção da imprensa, não só pela ideia dos tipos móveis -"a tipografia", mas também pelo aperfeiçoamento da prensa (que já era conhecida e utilizada para cunhar moedas, espremer uvas, fazer impressões em tecido e acetinar o papel). E este terá sido um marco fundamental que alicerçou e tornou possível a progressiva divulgação do conhecimento, até à sua massificação actual. Terá sido na Casa da Moeda do arcebispo de Móguncia, onde tanto o seu pai como o tio eram funcionários, que Gutenberg aprendeu a arte da precisão em trabalhos de metal. Em 1428 parte para Estrasburgo onde procedeu às primeiras tentativas de imprimir com caracteres móveis, onde deu a conhecer a sua ideia e onde, provavelmente em 1442, terá impresso o primeiro exemplar na sua prensa original - um pedaço de papel, com onze linhas. Vinte anos mais tarde regressou a Mogúncia, conhece Johann Fust, ourives abastado que lhe terá emprestado 800 ducados, e juntos formaram a Fábrica de Livros (Das