ARTIGO NÃO PUBLICADO: FAVOR NÃO CITAR Dom Quixote e Pierre Menard: Recepção e Intertextualidade em Borges e Cervantes. *Edson J. D. de Sousa 1 Recordar, olvidar, inventar: corrientes continuas, profundas y alternas de la tradición. Joaquín Manzi Este trabalho estuda, dentre o enorme périplo possível de leitores e leituras de Miguel de Cervantes (1547-1616), o texto Pierre Menard, autor del Quijote (1939), do escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986), usando-o como ensejo para análise mais ampla da recepção, de seus efeitos e desdobramentos, e da intertextualidade que estabelece ao confeccionar narrativa que compreende o Don Quijote de la Mancha (1605; 1616) de Cervantes enquanto paradigma literário. Para tanto, é necessário abordar não só a literatura especializada produzida sobre as múltiplas interfaces entre as obras cervantina e borgeana, mas também pontuar algumas breves (re)considerações sobre como Borges, ao longo da vida e sob condicionantes e interesses diversos, se colocou enquanto intérprete de Cervantes como que de um velho amigo. Qualquer revisão bibliográfica das recentes publicações sobre Borges em nosso caso, sobre o argentino como leitor e intérprete de Cervantes e do Quixote justamente atesta a enorme pluralidade de itinerários com que pesquisadores e pesquisadoras se acercam à obra borgeana (SAMSON, 2004, p. 01). Multiplicidade que diz respeito, em alguns dos estudos examinados, a desdobramentos inovadores sobre os mais diversos aspectos e em confluência com as mais variadas e dessemelhantes teses e teorias, bem como, em outros casos, à continuidade de linhas de análise pré-existentes, mortas até ontem, e recorrentemente reavaliadas ou exumadas por novas gerações de críticos e teóricos da literatura. É à sombra de ditas influências muitas vezes, sob seu mau-agouro que se encontram esboços críticos, conferências laudatórias e inclassificável miríade de aproximações acerca da rede de problemáticas que conecta, com mais de trezentos anos de separação, Pierre Menard, autor del Quijote (1939) e Don Quijote de la Mancha (1604 e 1615). Para melhor indicar sob quais modos ocorre o diálogo entre as duas obras, a pesquisa toma como referencial, num primeiro momento, os estudos da Escola de Constança, em que o interesse principal, expresso nas obras de Hans Robert Jauss, Wolfgang Iser e Karlheinz Stierle, passa a ser, fundamentalmente, a leitura e os vínculos entre texto e leitor. A 1 Acadêmico do Curso de Direito da Universidade de Brasília (UnB), Ex-Membro Bolsista do Programa de Educação Tutorial (PET-Dir UNB). Contato: edson.sousa05@gmail.com