Universidade de Brasília Instituto de Ciências Humanas PPG-FIL/UnB MACIEL, Otávio S. R. D. Filosofia, história e história da filosofia: ensaio acerca do extemporâneo. Draft de artigo publicado no Academia.edu. Brasília, 2014 Formas de vida e as filosofias NĆo Ġ iŶĐoŵuŵ eŶĐoŶtƌaƌŵos a etiŵologia da palaǀƌa filosofia ƌelaĐioŶada a uma tradução literal dos termos Φιʄο e σοφία Đoŵo aŵizade/aŵoƌ ă saďedoƌia. Nesta acepção remontável a Pitágoras, não tratam daquilo que é a sabedoria, mas de um aproximar-se dela. Ainda na ideia de algo outro, a sabedoria é apresentada pela Deusa (provavelmente Diké) a epifania do imobilismo ontológico do que é e do que não é. Inspirado em ambos, Platão traz à filosofia a missão do estudo das formas eternas que são, enquanto o que não é pode ser em termos de proposições. Aristóteles mantém o distanciamento com a verdade no capítulo 2 do Livro Alfa: o que o pensador pode conhecer, na medida do possível em termos de filosofia, é o conhecimento das causas das Đoisas, eŵďoƌa ŶĆo possua a ĐiġŶĐia de Đada uŵa delas poƌ si. Pƌiŵeiƌo Đaso do extemporâneo: o caso grego é aquele da imobilidade da verdade, o estático ontológico que é no tempo na medida que se esvazia dele. Aqui, a história grega é a história daqueles que se puseram para fora do tempo, os heróis mortais que atingem a imortalidade na história junto aos deuses. Péricles e seus 32 anos de governo se transformam num Século fora do tempo. Os Sete Sábios, cuja sabedoria é um colosso extemporâneo justamente por ser transtemporâneo, uma fonte infinita da sabedoria. Estudar a história na Grécia é estudar o que escapou do tempo. Desde rebuliços causados pelos variados cultos solares no oriente helenista, a específica seita leǀaŶtiŶa Ƌue ŵais taƌde seƌĄ estaďilizada soď o Ŷoŵe de ĐƌistiaŶisŵo manterá da visão grega da filosofia o saber como algo que se relaciona com outro: o outro agora é o deus do qual fala a seita vencedora. Todavia não sempre se defendeu a filosofia nestes termos, como as detrações de Tertuliano contra a filosofia grega tomada por herética. Agostinho foi quem construiu sua teologia que acabou por aprisionar a filosofia sob o julgo da Palavra– como serva, a filosofia ainda versa sobre o outro: o saber real, que é o das escrituras ditas sagradas e os dizeres de seus funcionários