Cidades inteligentes como ambientes cognitivos Patrícia Fonseca Fanaya Introdução Em seu livro Uma História Social do Conhecimento (2003), Peter Burke examina como, no mundo moderno, as cidades se tornaram importantes centros de encontro que favoreciam a importação, concentração, armazenamento, processamento e difusão de informações. Eram em cidades como Lisboa, Sevilha, Veneza, Amsterdã e Londres que se localizavam os movimentados portos que reuniam, em torno do comércio de mercadorias, habitantes e forasteiros e, consequentemente, promoviam encontros entre tipos diversos de pessoas e troca de diferentes conhecimentos. Eram nas cidades como Roma, Paris, Londres, Praga, Leipzig e Viena que as universidades atraíam e congregavam comunidades de saber internacionalizada, que se ocupavam com as excitantes descobertas da “filosofia natural”. Também nas cidades é que se localizavam as importantes catedrais e os famosos colégios pertencentes às congregações religiosas que treinavam estudantes estrangeiros como missionários e produziam e enviavam, com regularidade, relatórios detalhados sobre suas missões pelo mundo, à sede da Igreja, em Roma. As bibliotecas como as de Oxford, Escorial, Laurenziana (em Florença), a Marciana (em Veneza), a Ambrosiana (em Milão), e a real de Berlim, entre tantas outras públicas e privadas, eram importantes centros de armazenamento de informações e fontes de pesquisa, porque abrigavam o conhecimento em forma de manuscritos, mapas, cartas, diários, tratados e, a partir da invenção da prensa móvel, livros - o que fazia delas verdadeiros templos para sábios oriundos de diversos lugares do mundo conhecido. As cidades da idade moderna cresciam em tamanho e importância e atraíam cada vez mais mercadores, artistas, artesãos, estudantes e acadêmicos; novos ricos de uma classe média emergente e também gente da classe trabalhadora. Na esteira desse processo de expansão das cidades, como nos conta Burke, surgiu a crescente demanda por informações sobre as próprias cidades, o que promoveu a disseminação de serviços que empregavam