FIEP BULLETIN - Volume 81 - Special Edition - ARTICLE I - 2011 (http://www.fiepbulletin.net) EFEITOS DA REDUÇÃO DO VOLUME E DA INTENSIDADE DO TREINAMENTO AERÓBIO NA FREQUÊNCIA CARDÍACA DE REPOUSO EM JOVENS NADADORES. JOEL MORAES SANTOS JUNIOR, MARESSA D’PAULA GONÇALVES ROSA NOGUEIRA, ANTÔNIO CARLOS MANSOLDO Universidade Santa Cecília, Santos, São Paulo, Brasil Universidade de São Paulo, São Paulo, São Paulo, Brasil professor-joel@hotmail.com INTRODUÇÃO Os benefícios desejados com a prática desportiva de crianças e jovens incluem a melhoria da saúde, o desenvolvimento das características de crescimento em níveis ótimos, o bem-estar psicológico e a realização das habilidades motoras em condições adequadas (HASKEL et al., 1985). Com o crescente envolvimento das crianças e jovens no esporte competitivo, muitos estudos têm sido desenvolvidos sobre a resposta cardiorrespiratória dos mesmos para o treinamento aeróbio (VACCARO e MAHON 1987; ROWLAND, 1985; COSTILL et al., 1991). O treinamento esportivo tem como objetivo o aumento do desempenho, entretanto, existe uma linha muito tênue entre o nível ótimo e a diminuição deste decorrente do excessivo e prolongado estímulo através da aplicação de intensas cargas de trabalho acarretando numa inadequada recuperação fisiológica. Muitas das alterações fisiológicas associadas ao treinamento físico em demasia, ou seja, sobretreinamento podem ser acompanhadas de marcadores cardiorrespiratórios (ARMSTRONG e VANHEEST, 2002, CUNHA et al., 2006). Sendo assim, programas de treinamento sistemáticos com baixo ou nenhum controle aumentam as chances de fadiga prolongada e queda de desempenho em razão da má recuperação. Em contrapartida, o treinamento com descanso adequado, leva à recuperação completa gerando assim ganhos na aptidão física. Em jovens nadadores este processo dá-se principalmente através do treinamento no limiar anaeróbio, definido como sendo a velocidade de nado que pode ser mantida por um período de tempo indeterminado, sem exaustão (DENADAI et al., 1997). Além disso, as adaptações cardiovasculares decorrentes do processo de treinamento no limiar anaeróbio estão intimamente relacionadas a uma maior modulação vagal do coração (LEE et al., 2003). O comportamento da frequência cardíaca tem sido amplamente estudado em diferentes tipos e condições associadas ao exercício como um dos marcadores de fadiga e/ou recuperação do organismo ao treinamento na Natação (MAGLISCHO, 1999). E indivíduos com boa condição aeróbica tendem a apresentar frequência cardíaca de repouso (FC Rep.) mais baixa que indivíduos sedentários, porém não se pode afirmar que esta seja uma consequência direta do treinamento, pois outras adaptações inerentes ao condicionamento aeróbico podem influenciar o comportamento da FC Rep. (ALMEIDA e ARAÚJO, 2003). Deste modo, os valores da FC Rep. são comumente utilizados como referência de condição funcional do organismo, influenciando inclusive na determinação de faixas de intensidade (FRONCHETTI et al., 2006). Algumas pesquisas têm demonstrado uma relação direta da FC Rep. ao risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, apontado que, indivíduos com menor FC Rep. apresentam menor probabilidade de desenvolverem cardiopatias (SECCARECIA & MENOTTI, 1992). A exemplo disso, Negrão et al., (1992) demonstraram que o treinamento físico aeróbio resultava em bradicardia de repouso e que o mecanismo associado a essa resposta era uma diminuição na freqüência cardíaca intrínseca. Para Greenland (1999), uma baixa FC Rep. tende a representar um bom quadro de saúde, enquanto valores mais altos aparentemente estão relacionados a risco aumentado de mortalidade, doenças crônico degenerativas e aumento do gasto calórico basal. Relacionados à natação, em nados de mesma intensidade absoluta as adaptações da frequência cardíaca ao treinamento físico também apresenta menor resposta taquicardia. Sendo assim, o objetivo do presente estudo foi monitorar a FC Rep. em jovens nadadores durante cinco dias a fim de verificar sua recuperação metabólica.