OS VALORES PATRIMONIAIS E OS USOS DO PASSADO A PARTIR DOS PROCESSOS DE PATRIMONIALIZAÇÃO DE SÃO MIGUEL DAS MISSÕES/RS. MARCHI, DARLAN M. (1); FERREIRA, MARIA LETICIA M. (2) 1. Universidade Federal de Pelotas. Doutorando do Programa em Pós-graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural. Instituto de Ciências Humanas Rua Barão do Butuí, 338, apto 203. Centro, Pelotas- RS. 96010-330. darlanmarchi@gmail.com 2. Universidade Federal de Pelotas. Professora do Programa em Pós-graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural. Instituto de Ciências Humanas R. Alm. Barroso, 1202 - Centro, Pelotas - RS, 96010-280 leticiamazzucchi@gmail.com RESUMO Na lista dos primeiros bens culturais reconhecidos como patrimônios nacionais, quando da formação do SPHAN no final dos anos 1930, figuraram as ruínas de São Miguel das Missões, um dos sete povos jesuítico-guaranis fundado pela Companhia de Jesus no lado oriental do Rio Uruguai entre os séculos XVII e XVIII. Neste artigo, busca-se abordar o contexto político e cultural local e regional, no qual ocorreram a ativação patrimonial e os posteriores processos de patrimonialização dos remanescentes arquitetônicos da redução jesuítica de São Miguel Arcanjo. Para isso, utiliza-se como marcos de análise três fases da patrimonialização oficial: a regional, ocorrida através da intervenção do governo republicano rio-grandense de Borges de Medeiros na década de 1920; a nacional, logo após a criação do decreto lei 25/1937; e a internacional, através da inscrição de São Miguel na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 1983. Através da análise destes tempos patrimoniais é possível observar a articulação, o acréscimo e as transformações dos valores atribuídos às missões jesuítico-guaranis. Tais processos desvelam conveniências políticas, religiosas e institucionais na formação de um discurso identitário regional. Palavras-chave: São Miguel das Missões; processos de patrimonialização; valores patrimoniais.