195 A ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO RURAL NO TEMPO DE D. AFONSO HENRIQUES: A MORFOLOGIA DO CASAL ENTRE OS TEXTOS E AS MATERIALIDADES ANDRÉ EVANGELISTA MARQUES* INTRODUÇÃO Os encontros científicos que recentemente procuraram assinalar o nono cen- tenário do nascimento de D. Afonso Henriques podem dividir-se grosso modo em dois tipos: aqueles em que a figura do “primeiro rei” foi quase omnipresente, com a discussão de um ou mais aspectos da sua biografia a ocupar o essencial do debate, e aqueles em que uma preocupação assumida com os enquadramentos gerais do tempo e da acção do monarca levou a que a figura de Afonso Henriques estivesse presente em pouco mais do que o título dado ao encontro 1 . Do congresso que agora tem lugar, terceiro na linha dos grandes encontros académicos, não é de esperar que, à maneira dialéctica, a síntese culmine a exposição de uma tese e da sua antítese. A serena escolha das “materialidades” como tópico de reflexão, e de aproximação a uma realidade que foi quase sempre lida pela historiografia * Bolseiro de pós-doutoramento da FCT, Instituto de Estudos Medievais - Universidade Nova de Lisboa. 1 Durante o ano de 2009, realizaram-se dois grandes encontros científicos: o primeiro, com evidentes propósitos comemorativos, foi celebrado em Viseu, sob o patrocínio da Câmara Municipal local, e contou com a coordenação científica de João Silva de Sousa (Congresso Internacional Afonso Henriques. 900 anos depois – 16-19 de Setembro, 2009); o segundo, mais interessado em perspectivar a formação da monarquia portuguesa no contexto europeu, foi organizado pelo Centro de História da Universidade de Lisboa e coordenado por Maria João Branco, Hermenegildo Fernandes e Covadonga Valdaliso (Colóquio Internacional Afonso Henriques: em torno da criação e consolidação das monarquias do Ocidente Europeu (séculos XII-XIII). Identidades e Liminaridades – 14-16 de Dezembro, 2009). Estes encontros são bons exemplos, respectivamente, dos dois tipos de reuniões científicas referidos no texto.