Revista Voluntas: Estudos sobre Schopenhauer - Vol. 6, Nº 1 - 1º semestre de 2015 - ISSN: 2179-3786 - pp. 135-154. O sublime schopenhaueriano em “As Flores do Mal” de Baudelaire 135 O sublime schopenhaueriano em As Flores do Mal de Baudelaire The schopenhuaer´s sublime in The Flowers of Evil of Baudelaire Gabriela Nascimento Souza Mestre em Estética e Filosofia da Arte pela UFF E-mail: gabrielansouzaa@hotmail.com Resumo: O presente artigo pretende investigar a possibilidade de compreender algumas poesias de As Flores do Mal de Baudelaire como exemplificação da experiência estética que é própria ao sublime dinâmico em Schopenhauer, caracterizada pela expressão da ideia de humanidade. Palavras-chave: Sublime; Poesia; Trágico. Abstract: The present article intends to investigate the possibility to understand some poems of The Flowers of Evil of Baudelaire as examples of aesthetic experience that is proper to the sublime dynamic in Schopenhauer, characterized by the expression of the idea of humanity Key words: Sublime; Poems; Tragic. Considerações sobre a estética de Schopenhauer e a poesia trágica presente artigo tem como objetivo apresentar a síntese de uma pesquisa 1 previamente defendida, cuja principal hipótese consiste em que a poesia trágica seja uma representação do sublime dinâmico em Schopenhauer, o que poderia ser exemplificado a partir da obra de Baudelaire: As Flores do Mal. 2 Baudelaire escreve poesias aterrorizantes, tornando possível o sentimento do sublime a partir da visualização da ideia de humanidade, que é teorizada pela poesia trágica em Schopenhauer. O papel da arte segundo Schopenhauer é comunicar ideias. Parece-nos claro que a Vontade nunca aparecerá de modo explícito como uma pedra sob nosso olhar, porém, ela nos aparecerá enquanto ideia, sua objetidade imediata e adequada. Na Metafísica do 1 Dissertação de Mestrado: A poesia trágica como uma manifestação do sublime dinâmico em Schopenhauer: uma exemplificação a partir da obra 'As Flores do Mal' de Baudelaire , sob a orientação do Prof. Dr. Pedro Süssekind e coorientação do Prof. Dr. Leandro Chevitarese (UFRRJ). Defendida e aprovada no dia 26 de setembro de 2014 na Universidade Federal Fluminense - Pós Graduação em Estética e Filosofia da Arte. 2 Em momento algum nos empenharemos na classificação da poesia de Baudelaire, temos como meta apenas usá-la como um exemplo do que Schopenhauer entende como trágico. Schopenhauer não faz uma definição pontual do trágico, mesmo quando ele faz referências a tal conceito, uma específica definição não é pretendida. “A definição pretendida é, antes, através de uma análise reflexiva acerca do seu pessimismo metafísico. [...] E o nosso ponto de partida é a própria existência humana.” (MAGALHÃES, p. 2, 2012). Trata-se, então, de considerar a concepção de trágico desenvolvida como uma expressão da ideia de humanidade na teoria schopenhaueriana como passível de visualização em alguns dos poemas de Charles Baudelaire. O