REDISCO Vitória da Conquista, v. 6, n. 2, p. 28-41, 2014 ENTRE O IDEAL E A NATUREZA BRUTA: O EROTISMO NOS CONTOS “A VESTAL!” E “OS CANIBAIS”, DE ÁLVARO DO CARVALHAL Antonio Augusto Nery Fernando Vidal Variani Universidade Federal do Paraná Resumo: Este artigo pretende analisar dois contos do autor português Álvaro do Carvalhal (1844-1868): “A Vestal!” e “Os Canibais”, ambos publicados na coletânea póstuma Contos (1868). Nossa análise partirá da noção de erotismo proposta por Georges Bataille (1897-1962) em O Erotismo (1957) para desenvolver possíveis relações entre representações do corpo, do amor, da sexualidade e da natureza. Para tanto, teremos também em mente noções mais corriqueiras de “Romantismo” e “Naturalismo”, demonstrando como Carvalhal parece oscilar, com certa ironia, entre dois extremos de visões de mundo e da humanidade em relação aos temas abordados. Palavras-chave: Álvaro do Carvalhal, Literatura Portuguesa, Erotismo, “A Vestal!”, “Os Canibais”. Abstract: Between the ideal and the gross nature: The erotism in the tales “a Vestal!” and “Os Canibais”, by Álvaro do Carvalhal. This article intends to analyze two tales: “A Vestal!” and “Os Canibais”, both written by Portuguese author Álvaro do Carvalhal (1844-1868) and collected in a posthumous volume entitled Contos (1868). Our analysis is based on the notion of erotism proposed by Georges Bataille (1897-1962) in Erotism: Death and Sensuality (1957) and tries to develop a few possible relations between body, love, sexuality and nature representations. To do so, we’ll also have in mind the most trivial notions of “Romantism” and “Naturalism”, demonstrating how Carvalhal seems to oscillate, with a subtle irony, between two extreme visions of the world and humanity, in what concerns the addressed issues. Keywords: Álvaro do Carvalhal, Portuguese Literature, Erotism, “A Vestal!”, “Os Canibais”. No clássico Introdução à literatura fantástica (1970), refletindo sobre a “função social” do fantástico, Tzvetan Todorov afirma que: “o fantástico permite franquear certos limites inacessíveis quando a ele não se recorre”. Isso ocorre, segundo o crítico, porque “ao lado da censura institucionalizada, existe uma outra, mais sutil e mais geral: a que reina na própria psique dos autores”. E, portanto, conclui que “o fantástico é um meio de combate contra uma e outra censura: os desmandos sexuais serão melhores aceitos por