A CIDADE CONVIDA PARA CAMINHAR? UM ESTUDO SOBRE A PERCEPÇÃO DE CAMINHABILIDADE NO DISTRITO FEDERAL Caroline Machado Silva Lucas Heiki Matsunaga Hartmut Günther Universidade de Brasília - UnB Ingrid Luiza Neto Centro Universitário do Distrito Federal - UDF RESUMO Este trabalho investigou a percepção de caminhabilidade entre moradores do Distrito Federal. Para tanto, foi utilizada a versão abreviada da Neighborhood Environment Walkability Scale, comparando-se as regiões do Conjunto Urbano de Brasília (CUB) com as demais regiões administrativas do Distrito Federal. 126 moradores participaram do estudo, sendo 55% do CUB. O instrumento de medida foi submetido a um preteste e a procedimentos de análise fatorial confirmatória, apresentando qualidades psicométricas satisfatórias e indicando que os dados do Distrito Federal se adequam à estrutura fatorial proposta pelo instrumento original. Maior caminhabilidade foi percebida pelos moradores do CUB do que das regiões mais periféricas, indicando que estes sentem que têm mais acesso a lojas, facilidades, serviços e locais para caminhar. Discute-se a importância de desenvolver ações de incentivo às caminhadas e de investigar possíveis restrições ambientais percebidas pelos residentes das regiões pesquisadas. ABSTRACT This study investigated the perception of walkability among residents of the Federal District. We used the abbreviated version of the Neighborhood Environment Walkability Scale, comparing the regions of the Brasília Urban Center (BUC) with the other regions of the Federal District. 126 residents participated in the study, being 55% of the BUC region. The measurement instrument was submitted to a pretest and to confirmatory factorial analysis procedures, presenting satisfactory psychometric qualities and indicating that the data of the Federal District fit to the factorial structure proposed by the original instrument. Greater walkability was perceived by the BUC' inhabitants than by the residents of more peripheral regions, indicating more access to stores, facilities, services and places to walk at the BUC area. We discuss the importance of developing actions to encourage walks and to investigate possible environmental restrictions perceived by residents of the surveyed regions. 1. INTRODUÇÃO O uso excessivo do automóvel nas grandes cidades tem trazido inúmeras consequências negativas para a vida urbana, como congestionamentos, acidentes, danos à saúde e à qualidade de vida, barulho e poluição, além do uso indevido de energia e do solo (Gärling et al., 2002; Gifford e Steg, 2007). Essas consequências negativas, por sua vez, têm sido fonte de crescentes preocupações e incitado o planejamento de medidas para encorajar uma mudança de comportamento (Staats et al., 2004) e a utilização de modos de transportes mais sustentáveis (Litman, 2003; Gehl, 2010). Um dos modos de transporte considerados mais sustentáveis é o caminhar. Além de contribuir com a redução dos impactos do uso do automóvel (i.e., congestionamento, poluição, uso indevido da energia e do solo), caminhar contribui para a redução da incidência de problemas epidemiológicos, como a obesidade e problemas cardiovasculares (Peters et al., 2002). Há também um aumento da sociabilidade, pois caminhar estimula a convivência e as relações sociais no espaço urbano, bem como o desenvolvimento de uma percepção estética do mundo, que permite que os indivíduos observem e transformem simbolicamente o espaço que os cerca