© Dissertatio - Volume Suplementar 6, Fevereiro – 2018
TEORIAS HÍBRIDAS EM METAÉTICA
E FOLK PSYCHOLOGY
Eduardo Vicentini de Medeiros
Universidade do Rio do Sinos
Resumo: O artigo argumenta por um paralelismo entre o surgimento de teorias híbridas na Metaética e
novas propostas de categorização para estados mentais que tomam como base conceitos da folk
psychology. São discutidos três propostas de teorias híbridas (Copp 2001, Boisvert 2008 e Kriegel 2012)
e três propostas de categorizações (besires, aliefs e in-between beliefs). Esse paralelo não é acidental,
antes indica uma direção profícua para a solução do confronto entre cognitivismo e não cognitivismo,
desde que as novas categorizações propostas estejam integradas em teorias da psicologia ou
neurociências que apresentem suporte de evidência empírica.
Palavras-chave: Folk psychology; cognitivismo; não cognitivism.
Abstract: The paper argues for a parallelism between the emergence of hybrid theories in metaethics
and new proposals of categorization for mental states build upon folk psychology concepts. Three
samples of hybrid approaches (Copp 2001, Boisvert 2008 and Kriegel 2012) and categorizations
(besires, aliefs, and in-between beliefs) are discussed. This parallelism is not accidental, but rather
indicates a useful direction for the solution of cognitivism versus non-cognitivism debate, provided that
the proposed categorizations could be integrated into psychological or neuroscientific theories supported
by empirical evidence.
Keywords: Folk psychology; cognitivism; non-cognitivism.
Introdução
Em consequência dos esforços de Simon Blackburn e Allan Gibbard
na direção de uma teoria quase-realista em Metaética, a tradicional divisão
entre cognitivistas e não cognitivistas deixou de ser prioritariamente feita a
partir da atribuição ou não de valor-de-verdade para os juízos morais e passou
a ser traçada perguntando-se que tipo de estado mental constitui ou é expresso
por esses juízos. Portanto, pressupondo uma fronteira entre estados conativos
(destacados pelos não cognitivistas) e estados doxásticos (sublinhados pelos
cognitivistas)
1
.
Em sintonia com essa pressuposição, o programa expressivista pode
ser minimamente caracterizado, resguardando especificidades, como uma tese
1
Esse ponto aparece claramente em HAROLD 2012, p.166.