Página | 7 F Fr ro on nt te ei i r ra as s & & D De eb ba at te es s M Ma ac ca ap pá á, , v v. . 4 4, , n n. . 1 1, , j ja an n. . / /j ju un n. . 2 20 01 17 7 I I S SS SN N 2 24 44 46 6- - 8 82 21 15 5 https://periodicos.unifap.br/index.php/fronteiras Antonil jurista? Uma contribuição à história da literatura jurídica no Brasil Colonial no século XVIII Gustavo César Machado Cabral 1 RESUMO: Este artigo pretende discutir a relevância e o impacto da obra Cultura e opu- lência do Brasil por suas drogas e minas (1711), escrito pelo jesuíta João Antônio Andre- oni sob o pseudônimo de André João Antonil. Apesar da sua grande relevância para mui- tos estudos sobre a história do Brasil, particularmente para os de história econômica, os aspectos jurídicos do livro ainda não receberam muita atenção. Assim, a análise será realizada a partir da reconstrução da história da literatura jurídica na Idade Moderna. Palavras-chave: Brasil Colonial; Literatura jurídica; André João Antonil. Antonil jurist? A contribution to the history of the juridical literature in colonial Brazil in the 18 th century. ABSTRACT: This paper aims to discuss the relevance and the impact of the book Culture and opulence of Brazil by its drugs and mines (1711), written by the Jesuit João Antônio Andreoni under the pseudonymous of André João Antonil. Despite its great relevance to many studies on Brazilian history, particularly those related to economic history, juridi- cal aspects of the book did not yet received much attention. This analysis will be done relating the book to the history of juridical literature during the Early Modern Age. Keywords: Colonial Brazil; Juridical literature; André João Antonil. 1. Introdução A relevância de Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas no que diz respeito a vários temas centrais da vida na América portuguesa tornou praticamen- te obrigatórias as referências ao texto escrito por André João Antonil, pseudônimo do jesuíta de origem italiana João Antônio Andreoni (1649-1716, p. 33-34). Personagem importante do final do século XVII e início do século XVIII, Andreoni nasceu em Luca, na Toscana, estudou direito na Universidade de Perugia e ingressou na Companhia de Jesus em 1667. Chegou à América em 1681 a convite do padre António Vieira e não deixou mais o Brasil, ocupando postos de destaque na Companhia, como a Reitoria do Colégio da Bahia e o cargo de Provincial do Brasil, além de ter sido professor do Colé- gio e Visitador (Silva, 2007). Além do mais, Andreoni manteve uma relação próxima aos mais importantes círculos de poder da época, tendo sido confessor de dois gover- 1 Doutor em História do Direito (USP). Professor da Faculdade de Direito da UFC. E-mail: gustavocesar- cabral@gmail.com DOI: 10.18468/fronteiras.2017v4n1.p07-28