XXVI Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música – B. Horizonte - 2016 O folclore em contexto e o conceito de comunidades de prática como uma nova perspectiva de abordagem para os estudos de folclore 1 MODALIDADE: COMUNICAÇÃO SUBÁREA: ETNOMUSICOLOGIA Estêvão Amaro dos Reis Universidade Estadual de Campinas – estevaoareis@gmail.com Suzel Ana Reily Universidade Estadual de Campinas – suzelreily@gmail.com Lenita Waldige Mendes Nogueira Universidade Estadual de Campinas – lwmn@iar.unicamp.br Resumo: A partir do estudo do folclore em contexto proposto por Richard Bauman e Dan-Bem- Amos, (1971) o presente trabalho utiliza o conceito de comunidades de prática discutido por Etienne Wenger (1998; 2012) para analisar as práticas contemporâneas dos grupos performativos das culturas populares brasileiras. Com o intuito de refletir sobre tais práticas mediante uma nova perspectiva, apresentamos uma breve etnografia do Grupo Olimpiense de Danças Parafolclóricas “Cidade Menina Moça” de Olímpia, São Paulo. Palavras-chave: Folclore em contexto. Comunidades de prática. Culturas populares. Folklore in context and the Communities of Practice concept as a new perspective to approach the folklore studies Abstract: From the folklore studies in the context proposed by Richard Bauman and Dan-Ben- Amos (1971), this work uses the Communities of Practice concept discussed by Etienne Wenger (1998; 2013) to analyze the contemporary practices in performance groups of Brazilian popular culture. In order to reflect about these practices from a new perspective, I present a brief ethnography of Grupo Olimpiense de Danças Parafolclóricas “Cidade Menina Moça” from Olímpia, São Paulo. Keywords: Folklore in context. Communities of practice. Popular culture. 1. O folclore em contexto O termo folclore está tão incorporado ao nosso dia a dia que já não causa mais estranhamento e nem sequer nos lembramos de que se trata de uma palavra estrangeira, uma palavra inventada a partir da fusão de outros dois vocábulos (folk –lore) do inglês antigo. Além disso, o termo nunca foi uma unanimidade. Para Brandão (1984: 27) “folclore é uma palavra que já nasce entre parênteses.” Para Dan Bem-Amos (1971) os conceitos para defini-lo foram tantos e tão diversos, quanto às versões dos contos e lendas mais conhecidos. Para Ikeda (2013: 174) as inúmeras denominações são tentativas de conferir a esses saberes populares alguma característica ou distinção, buscando singularizá-las, diferenciando-as de outras formas, como as da cultura de massa, da cultura urbana moderna e da cultura “erudita” e até da cultura indígena.