1 Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 & 13 th Women’s Worlds Congress (Anais Eletrônicos), Florianópolis, 2017, ISSN 2179-510X O FEMINISMO DE ANA MENDIETA NO CAMPO DAS ARTES VISUAIS Elena de Oliveira Schuck 1 Carolina Gallo Garcia 2 Resumo: A comunicação guia-se pelas obras de Ana Mendieta (1948-1985), artista visual cubana que viveu grande parte de sua vida nos Estados Unidos, e integrante da vanguarda artística e feminista do início dos anos 1970. A partir da análise de duas obras da artista, Rape Scene (1973) e Siluetas Series (1973-1980) buscamos identificar expressões de uma estética feminista que levam ao questionamento de opressões da ordem de gênero, etnia e raça, temas tão caros à produção de Mendieta que permeiam toda sua obra. Palavras-chave: Ana Mendieta; Feminismo; Artes Visuais; Gênero, Estética feminista Nascida em uma família católica de Havana, Cuba (1948), a artista Ana Mendieta foi enviada aos Estados Unidos pelos pais, contrários ao regime castrista, junto a sua irmã Raquelín em 1961. Ana e sua irmã chegaram ao país através da operação Peter Pan, organizada pela Igreja católica norte americana para salvar crianças do comunismo e do regime “anti -católico” de Fidel Castro em Cuba. A cidade de acolhimento foi Miami, na Flórida, e após um curto período as irmãs cubanas foram enviadas a uma família adotiva em Dubuque, Iowa. O doloroso isolamento da família cubana bem como o exílio em uma idade precoce marcou a formação artística de Ana Mendieta. Suas obras refletiam essa experiência, as memórias da cultura cubana, as quais tomam forma de um diário íntimo visual onde tem lugar a fusão de memórias de infância com o contexto norte-americano. A carreira artística de Ana Mendieta foi curta (1972 - 1985), mas muito produtiva e diversificada, passando por performances, body art, vídeos, fotografias, desenhos, instalações e esculturas (DZIEDZIK, 2015). Teve sua formação artística iniciada nos anos 1970, na Universidade de Iowa, onde começou a usar seu corpo para criar arte a partir da influência de Hans Breder. A obra de Mendieta conecta a natureza com a humanidade, expressa elementos de feminismo e espiritualidade, e reflete a própria experiência como exilada e como mulher (BIDASECA, 2014). 1 Doutora em Ciência Política na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Professora do Instituto Latino- Americano de Economia, Sociedade e Política (ILAESP) na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), Foz do Iguaçu, Paraná, Brasil. 2 Mestranda em Planejamento Urbano na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, Brasil.