VII ESOCITE.BR tecsoc - ISSN ∕ 1808-8716 Meyer. Anais VII Esocite.br/tecsoc 2017;5(gt3):1-14 Movimentos híbridos de investigação e intervenção: o processo de design e a construção do mundo investigado GT3 – Produção De Conhecim entos E Artefatos – Experiências Interdisciplinares Em Design Guilherme Englert Corrêa Meyer Resum o: Este artigo parte de um a discussão bastante am pla sobre os m ovim entos de investigação e de intervenção nas práticas científicas. Para pautar os dom ínios desses espaços am pliados, opto por utilizar de um esquem a descritivo proposto por Latour ao analisar as práticas de engenheiros; e de um a reflexão sobre o com ponente generativo característico dos processos de design. M ais especificam ente, utilizo dos conceitos de program a de ação e de antiprogram a (Latour, 1992; Akrich e Latour, 1992); e de um a leitura sobre a natureza especulativa, no sentido de Dunne e Raby (2013), dos processos de design. Um prim eiro olhar sobre esses dois tem as escolhidos supõe operações de feições opostas. Quer dizer, os conceitos de Latour são forjados para descrever ações. Descrever significa enum erar as características das coisas; repousa, portanto, no exercício de m ostrar com o as coisas são. O conceito de Especulação figura no plano da proposição, do inexistente, das possibilidades. O prim eiro opera na indução e na dedução, o segundo na abdução. Cada qualparece utilizar de um regim e de validação e de m odos particulares. Quer dizer, no design, por exem plo, o conceito de especulação perm ite que nos desvencilhem os, m esm o que por um m om ento, do binôm io problem a-solução que pauta boa parte da com preensão do processo de design. Assim , ao invés de progredir de form a a evitar o indesejável (percebido na arqueologia da investigação do problem a), na especulação a dinâm ica im pele ao desejável (que figura num plano cuja validação não é dem arcada pelo problem a), o que é opção de m ais am plas possibilidades. Desta form a, o esforço por relacionar esses dois m ovim entos aparentem ente estranhos, pode revelar-se um exercício fecundo e prom issor. Pretendo que tal reflexão perm ita inicialm ente pensar a pertinência de o pesquisador dos Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia (ESCT) posicionar-se em um estado de crítica perm anente alim entado por um esforço am bivalente de investigação e intervenção nos cam pos em que opera. Penso ainda que os conceitos de Latour mencionados possam am pliar a com preensão do processo de design, ao substituir a lógica de progressão tem poral (de herança racionalista fortem ente presente nas práticas de design) por outra lógica, pautada em um esquem a de com posição (Sintagm ática, AND) e substituição (Pragm ática, O R ) de trajetória particular.